O momento Lehman de Mitt Romney?

Além da escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, para a vice-presidência, houve um momento fulcral e decisivo — o tal game-changer — na campanha do republicano John McCain em 2008. Foi em Setembro, quando a inesperada e surpreendente falência do banco de investimento Lehman Brothers foi anunciada, atirando o sector financeiro mundial para uma espiral de perdas históricas, e o veterano senador do Arizona comentou que “os fundamentos da economia americana estão sólidos” (enquanto o seu adversário, Barack Obama, denunciava as políticas de desregulação e a cultura de irresponsabilidade vigente em Wall Street). Esse foi o momento em que o eleitorado americano decidiu qual dos dois candidatos era o mais presidenciável — a campanha de McCain nunca mais recuperou dessa primeira reacção precipitada.

Ontem, vários republicanos classificaram as declarações de Mitt Romney sobre a resposta da Administração Obama ao inesperado e surpreendente ataque à missão diplomática dos Estados Unidos em Bengasi, na Líbia, (e também à embaixada norte-americana no Cairo), como o seu “momento Lehman”.

As palavras do ex-governador do Massachusetts, que acusou o Presidente de se desculpar em nome da América e insinuou uma subserviência da Administração aos regimes islamistas, mereceram críticas imediatas: de ambos os lados do espectro político, do corpo diplomático, comentadores e opinião pública. Foram vários os “pecados” da sua declaração (e de várias posições divulgadas em comunicados pela sua campanha), alguns de forma e outros de conteúdo: o candidato republicano desrespeitou o acordo de não “injectar” a campanha eleitoral nas homenagens do 11 de Setembro e ignorou a tradição de não utilizar tragédias nacionais para tentar marcar pontos políticos. Mas pior para ele (e a sua campanha), decidiu pronunciar-se antes de serem conhecidos todos os factos, e fazendo uma leitura abusiva — e errada — dos acontecimentos da Líbia e do Egipto e da reacção de Washington.

Sob pressão, e apanhado em contrapé, Romney cometeu um outro pecado, que pode ter sérias repercussões na sua campanha: em vez de corrigir o tiro, reafirmou e reforçou as suas críticas iniciais — abrindo o flanco a mais críticas e contra-ataques. O Presidente Obama não perdeu tempo, notando que “o governador Romney gosta de atirar primeiro e apontar depois”. Questionado sobre a eventual irresponsabilidade do candidato republicano, o Presidente sacou do trunfo: essa é uma resposta que “compete ao povo americano” nas urnas.

A campanha republicana, que pretendia combater Obama apenas com base no (mau) desempenho da economia americana já tinha sofrido revezes quando os temas da chamada “guerra cultural” — a contracepção, o aborto, o casamento gay — atraíram a atenção dos eleitores e permaneceram na ordem do dia dos media. Agora que a política externa ameaça tornar-se o principal tema de debate eleitoral, o potencial de prejuízo para as aspirações de Mitt Romney é incalculável.

Rita Siza

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7 comentários a O momento Lehman de Mitt Romney?

  1. Sr.a Rita
    O que o candidato Romney disse é verdade. A politica externa do sr. Obama é fraca e subserviente principalmente em relação a regimes islamistas. Embora não seja mentira que quando Romney fez essas declarações ainda não se sabia toda a verdade, havia já elementos suficientes para avaliar a situação. Inclusive hà noticias que a administração Obama sabia de antemão potenciais ameaças e pouco fez. Nao percebo porque motivo este jornal continua a apoiar o sr. Obama, as suas alianças com a Irmandade Muçulmana ( movimento que deu origem à AL_Queda e outros grupos radicais) e a sua hostilidade a Israel. Deixe de tentar atirar areia para os olhos das pessoas….

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    • Caro Gustavo,
      Não leve a mal o que lhe digo, mas sinto bastante pena de si depois de ler o seu comentário, espero que consiga um dia ver o errado que estava.
      E repare, eu não gosto de um nem de outro candidato, agora convém saber Factos antes de vir para jornais largar comentários destes. É de facto incrivel, e ate pensei ao inicio que fosse um comentario sarcastico na brincadeira. Infelizmente tal não se mostrou realidade. Use a internet, e vá ler sobre os reais factos deste mundo.

      Abraço

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      • caro sr. JJ
        Sei muito bem que a maioria da comunicação social portuguesa apoia o candidato Obama, especialmente o jornal Público.Também não gosto especialmente do candidato Romney mas em vez de escrever com ar paternalista gostava que me elucidasse onde estou errado. Uso bastante a Internet nomeadamente a web anglo-saxónica e em lugar do seu tom condescendente aponte-me então as supostas inverdades do que escrevi, se puder.
        Cumprimentos

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