Pior do que parece

Com a sua graça peculiar, o mordaz cronista do Washington Post, Dana Milbank, destila hoje o seu veneno contra o “Congresso-que-não-faz-quase-nada” e que esta semana está novamente parado para que os congressistas realizem “contactos com o eleitorado” — leia-se, acções de recolha de fundos para a campanha eleitoral que se aproxima.

Como aponta, nos primeiros 127 dias do ano de 2012, os legisladores da Câmara de Representantes dedicaram apenas 41 às sessões em Washington. desde o início desta sessão legislativa, em Janeiro de 2011, o congressistas aprovaram 106 projectos de lei. Para servir de comparação, Milbank evoca o Congresso com pior registo de aprovação de leis, o de 1947-48, que “só” passou 908 projectos legislativos.

O problema que Milbank só ligeiramente aflora na sua coluna diária é esmiuçado ao pormenor por Thomas E. Mann e Norman Ornstein, dois dos mais reputados especialistas no sistema constitucional e funcionamento do ramo legislativo dos Estados Unidos, no seu último livro “It’s Even Worse Than It Looks: How the American Constitucional System Collided With the New Politics of Extremism” (traduzindo à letra, qualquer coisa como “É muito pior do que parece: Como o sistema constitucional americano colidiu com a nova política de extremismo”).

Os dois académicos, um mais liberal e outro mais conservador, argumentam que a recente polarização ideológica dos dois principais partidos é a grande causa e razão para o actual impasse legislativo e disfuncionalidade no Congresso — e também explica porque só 9% dos americanos aprovam o desempenho dos seus representantes políticos, o valor mais baixo de sempre (será possível descer mais baixo?).

Mas na sua opinião, o Partido Republicano é o principal responsável pelo imobilismo que tomou conta do Congresso, e tem mais culpa no sentido em que, mais do que os seus adversários, escolheu fundar a sua acção política na absoluta rejeição do compromisso e, de forma por vezes ridícula, recusando-se a aceitar ou reconhecer a validade dos factos, provas e evidências.

Um outro resumo da obra está aqui. Ainda que sejam só umas pinceladas gerais, são uma boa leitura para quem se interessa pelos meandros da política americana.

Rita Siza

 

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