O GOP e os gays

A demissão de Rick Grenell, poucos dias depois de ter sido contratado como conselheiro e porta-voz de política externa pela candidatura de Mitt Romney, está a entreter os polemistas de serviço nos jornais e blogosfera americana. *

Grenell, um brilhante estratega e analista, estrela em ascensão nos circuitos do poder republicano, tinha o currículo certo e credenciais impecáveis para agradar às bases conservadoras — num perfil publicado pelo Washington Post durante a “revolução” de Gingrich no Congresso, foi descrito como o paradigma do novo republicanismo, o perfeito partisan, ortodoxo e inflexível.

Qual o problema, então? Ric Grenell é assumidamente homossexual, e no Partido republicano não há lugar para gays.

Assim que a contratação foi anunciada — com a campanha de Romney a garantir na altura que o facto de Grenell ser homossexual era absolutamente irrelevante — as bases evangélicas começaram a exigir o seu escalpe. As suas exigências não tinham a ver com as posições políticas extremas que Grenell defendeu ao longo da sua carreira, mas simplesmente por causa da sua orientação sexual e do facto de apoiar a legalização do casamento gay.

Aparentemente, a campanha de Romney não estava preparada para lidar com a (previsível) reacção das facções mais radicais. Para piorar um bocado a situação, não conhecia uma série de tweets radicais e potencialmente embaraçosos que o próprio Ric Grenell tentou posteriormente apagar do ciberespaço. Até agora manteve o silêncio, mas depois de ter placidamente deixado cair o seu próprio conselheiro, ficar calado pode ser a pior opção para Mitt Romney. Sem falar, o candidato republicano ficará para sempre refém das posições intolerantes dos seus apoiantes mais à direita — e mais afastado do centro que precisa de conquistar se quiser ser eleito Presidente.

* A título de exemplo, aqui fica a polémica através do blogue de Andrew Sullivan, o comentador conservador e gay que desde 2008 é apoiante de Barack Obama.

Rita Siza

2 comentários a O GOP e os gays

  1. «No Partido republicano não há lugar para gays.»
    Pouco falta para dizer que «no Partido Republicano não há lugar para pretos». Preconceito, coisa tão bela…!

    Responder

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