O sucesso de Santorum

A escal­ada de Rick San­to­rum nas sonda­gens trouxe um novo escrutínio à can­di­datura do antigo senador do Pen­sil­vâ­nia, um católico ultra-conservador com tendên­cias de fal­cão em ter­mos de política externa e de defesa.

Duas razões para essa escal­ada: o facto de grande parte do eleitorado con­ser­vador ainda não se ter ren­dido à procla­mada inevitabil­i­dade da can­di­datura de Mitt Rom­ney, o homem escol­hido pelo estab­lish­ment repub­li­cano para defrontar Barack Obama; e a evolução da nar­ra­tiva da cam­panha, da monotemática da econo­mia para uma panó­plia de assun­tos de carác­ter social e ideológico.

Como escrevia Michael Bren­dan Dougherty num texto sobre a cam­panha de Rom­ney no Busi­ness Insider:

No último mês os media não têm andado a falar de empre­gos, ou empre­gos, ou empre­gos. Têm andado a dis­cu­tir a Komen Foun­da­tion e a Planned Patent­hood, têm andado a debater se as orga­ni­za­ções católi­cas têm o dever de com­par­tic­i­par o paga­mento da con­tra­cepção às suas fun­cionárias, têm andado a falar na pos­si­bil­i­dade do casa­mento gay ser invi­a­bi­lizado por decisões dos tri­bunais federais”.

Nesse campo, San­to­rum goza de clara van­tagem sobre Rom­ney. Ele não pre­cisa de afir­mar as suas cre­den­ci­ais con­ser­vado­ras: elas per­me­iam o seu dis­curso e sus­ten­tam o seu per­curso e pro­jecto político há anos con­sec­u­tivos. Nos seus ataques, a cam­panha de Rom­ney pode pôr em causa o cur­rículo de San­to­rum como um ben­efi­ciário do sis­tema de Wash­ing­ton, um homem lig­ado aos lob­bys, um despe­sista que votou no Senado em avul­ta­dos pro­jec­tos (chama­dos de pork bar­rel) cujo único objec­tivo era sat­is­fazer clien­te­las políti­cas. Mas Rom­ney jamais con­seguirá rasteirar San­to­rum em assun­tos como o casa­mento gay, a con­tra­cepção, a eutanásia, … – em todos eles, as suas posições intran­si­gentes e intol­er­antes foram con­sis­ten­te­mente e repeti­da­mente veic­u­ladas aos eleitores e aos media.

Não admira, por isso, que a sua cam­panha pouco tenha sofrido com as declar­ações desastradas de Fos­ter Friess, um dos “investi­dores” que apoia o seu super PAC, e que disse numa entre­vista tele­vi­siva que o único método de con­tra­cepção aceitável era a aspi­rina: “As sen­ho­ras segu­ram uma [pastilha] entre os joel­hos e certificam-se que não sai do sítio nem cai ao chão”, expli­cou. O sis­tema, ale­gava, ficaria muito barato para o sis­tema de saúde.

A “ane­dota” pode­ria cus­tar caro a qual­quer can­didato, mas San­to­rum ultra­pas­sou facil­mente o inci­dente. O can­didato deixou claro que não apoiava a “piada” de Friess (que pediu des­cul­pas), e esclare­ceu que se fosse eleito Pres­i­dente não tornaria ile­gal o acesso dos amer­i­canos à pílula ou a preser­v­a­tivos. “Ser ata­cado com base nessa pre­missa, como se eu alguma vez tivesse dito que seria um con­tro­lador que iria impôr a minha prática pes­soal ao resto do país, é total­mente absurdo”, insurgiu-se o can­didato. [Por várias vezes San­to­rum disse que ele e a mul­her não usam méto­dos con­tra­cep­tivos]. Mas, acres­cen­tou, se for eleito Pres­i­dente, não inter­ferirá com a liber­dade dos esta­dos – que teriam toda a legit­im­i­dade, por exem­plo, para proibir a pílula.

A cam­panha de San­to­rum tam­bém não parece ter sido espe­cial­mente prej­u­di­cada por um outro comen­tário con­tro­verso do seu apoiante Fos­ter Friess, que numa entre­vista à Reuters declarou que os mais ricos não dev­e­riam ter de pagar impos­tos ao gov­erno fed­eral – o seu argu­mento é que os mil­ionários já con­tribuem para o bem comum através das con­tribuições que fazem para cari­dade, ou através das suas fundações.

Rita Siza

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