O problema de Romney com os conservadores, parte II

O col­u­nista do Wash­ing­ton Post, E. J. Dionne, volta hoje ao tema das frag­ili­dades da can­di­datura de Mitt Rom­ney, para con­cor­dar com os argu­men­tos apre­sen­ta­dos até agora. Munido dos números das últi­mas sonda­gens, que mostram Rom­ney empatado ou ligeira­mente atrás de Rick San­to­rum a nível nacional (e ambos bem atrás do Pres­i­dente can­didato à reeleição), Dionne con­clui que o ex-governador do Mass­a­chu­setts perdeu o seu prin­ci­pal trunfo nesta cam­panha: de que ele era o can­didato óbvio para der­ro­tar Barack Obama.

Além do trunfo da eleg­i­bil­i­dade, Rom­ney perdeu tam­bém a opor­tu­nidade de cen­trar a cam­panha nas suas cre­den­ci­ais de homem de negó­cios e gestor de sucesso, capaz de prov­i­den­ciar uma revi­ra­volta na depau­per­ada econo­mia amer­i­cana. Não só porque os vários indi­cadores económi­cos vêm con­fir­mando a tendên­cia de cresci­mento da econo­mia, como ines­per­ada­mente, o seu cur­rículo na sociedade de cap­i­tal de risco Bain Cap­i­tal e a sua for­tuna pes­soal, dis­tribuída por fun­dos em paraí­sos fis­cais e con­tas bancárias no estrangeiro, se rev­e­laram um feitiço que se virou con­tra o feiti­ceiro — muito p9or culpa dos ataques dos seus rivais republicanos.

Rom­ney provavel­mente está a rezar por uma recu­per­ação par­cial de Gin­grich, para que seja ele a lançar os ataques con­tra San­to­rum. Inca­paz de se jus­ti­ficar nos números pos­i­tivos das sonda­gens e no seu con­hec­i­mento do sec­tor pri­vado, Rom­ney pre­cisa rap­i­da­mente de con­struir novos argu­men­tos para a sua candidatura.”

A ter­mi­nar, uma nota pes­soal rel­a­tiva a E.J. Dionne, um vet­er­ano do jor­nal­ismo político amer­i­cano e uma sim­pa­tia de pes­soa, que responde a todas as solic­i­tações dos seus leitores e dos seus com­pan­heiros de profis­são. Uma vez esperá­va­mos a vez numa longa fila numa estação de cor­reios de Wash­ing­ton em plena cam­panha pres­i­den­cial de 2008. Apresentei-me para tro­car­mos impressões sobre a cor­rida democ­rata à nomeação (na altura ao rubro com a rival­i­dade Obama v. Clin­ton) mas a con­versa acabou por ser desvi­ada para o tempo que Dionne pas­sou em Por­tu­gal na década de 70, quando entu­si­as­ti­ca­mente via­jou para Lis­boa a pre­texto de cobrir a rev­olução e regres­sou aos Esta­dos Unidos con­ven­cido que Mário Soares era um dos maiores estadis­tas mundi­ais do século XX.

Rita Siza

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