A gaffe do dia seguinte

O ex-governador do Massachusetts, Mitt Romney, teve pouco tempo para saborear a sua retumbante vitória na primária da Florida. Logo na manhã seguinte, a sua campanha entrou em “modo de gestão de crise”, depois de uma entrevista com a CNN em que Romney disse estar pouco preocupado com os mais pobres da sociedade — e também com os mais ricos. O argumento que o candidato pretendia apresentar era que se fosse eleito Presidente as suas políticas seriam direccionadas para a melhoria da situação de vida da classe média. Os mais ricos, por serem ricos, não precisam de ajuda, considerou Romney, e os mais pobres, por serem pobres, já têm ajuda através de uma “rede de segurança” proporcionada pelo Estado. “Se houver buracos nessa rede, pretendo remendá-los”, acrescentou.

Como antes aconteceu quando Romney disse que “as corporações também são gente” ou que “gostava de despedir gente”, a polémica foi instantânea. A declaração foi infeliz, e sem dúvida será usada (fora do contexto) até à exaustão em anúncios ou recordada pelos seus adversários à primeira ocasião até ao fim da campanha. E é óbvio que Romney não quis dizer que se está a borrifar para os pobres — apenas que eles não são o foco da sua campanha.

E é aí que reside o problema da sua candidatura: não só por causa do período de dificuldade económica que o país atravessa — e o tom populista que está inevitavelmente subjacente a essa situação –, mas também por causa do estatuto de  privilégio que Romney personifica. O problema da personalidade de Romney, e da mensagem de Romney, é que ele é muito rico e as suas propostas — económicas e fiscais — beneficiam os muito ricos, em detrimento dos muito pobres. Quando Romney diz que “não é bom ser pobre”, soa particularmente mal. E quando Romney diz que existe uma “rede de segurança” que ele pretende consertar para os muito pobres, vai contra o seu próprio programa eleitoral, que prevê cortes drásticos na despesa dos programas federais que beneficiam os pobres.

A campanha de Romney precisa de afinar a mensagem.

Rita Siza

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