O tempo e a alma

Os comentadores norte-americanos chegaram à conclusão, ontem à noite, que Obama já não inspira Obama. O inovador senador liberal do Illinois que queria mudar a América converteu-se, depois de três anos na Casa Branca, num Presidente estafado com a sua própria retórica. 

O discurso sobre o Estado da União, o salvo de abertura da sua campanha para a reeleição, provou que o Presidente trocou a eloquência de outrora pelo pragmatismo e calculismo político. Em vez das grandes (e vagas?) ideias para a transformação do país, Obama ofereceu pequenas receitas para objectivamente atender aos anseios e preocupações dos 98% de contribuintes americanos que têm rendimentos anuais inferiores a 250 mil dólares — a classe média que o Presidente precisa de conquistar para ser reeleito.

Muitos analistas lamentaram que, com as vicissitudes da presidência, Obama tenha perdido a chama. Ou a alma — pela primeira vez, o Presidente falhou no que os americanos chamam o delivery. O tom populista não condiz com ele. Mas o discurso de ontem à noite no Congresso não era para inspirar, era para impressionar. Era para ganhar.

O modelo de Obama já não é ele próprio, é Bill Clinton.

Rita Siza

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