Os primos Romney

O ex-governador do Massachusetts, Mitt Romney, vai divulgar amanhã (online) a última declaração de rendimentos do candidato, referente ao ano fiscal de 2010 — e provavelmente um também um rascunho dos rendimentos que Romney vai declarar na próxima declaração, a apresentar até Abril. Um batalhão de especialistas em assuntos fiscais já foi reunido para investigar os documentos. Algumas das coisas que vão descobrir já são conhecidas, por exemplo, mais de 300 mil dólares em honorários de conferências ou dinheiro aplicado em pelo menos seis fundos sedeados nas ilhas Caimão.

Romney já disse que não foi porque as suas declarações de impostos contenham “alguma coisa de errado” que resistiu a torná-las públicas até agora. Os eleitores sabem que ele é milionário, e a sua campanha esclareceu que ele sente “algum desconforto” em falar sobre isso. Mas há um aspecto que os papéis do IRS vai expôr que pode deixar o candidato ainda mais desconfortável: o dízimo pago à sua Igreja de jesus Cristo dos Últimos Dias, que grande parte dos evangélicos não reconhecem como uma verdadeira religião.

Romney já começou a abordar a questão religiosa, de forma discreta e sem ferir susceptibilidades. O seu adversário Newt Gingrich, perito em subentendidos, trata de deixar recados em quase todos os discursos — é inegável que o facto de ser mórmon é uma vulnerabilidade para Romney. Na Florida, onde a percentagem de republicanos hispânicos não é despicienda, o candidato não pode jogar o trunfo mexicano (as ligações da sua família ao país vizinho) precisamente por causa da reacção/reprovação dos evangélicos: o seu bisavô, Miles Parker Romney, emigrou para o México com muitos outros colonos mórmons no final do século XIX, que tentaram manter a prática da poligamia depois da hierarquia mórmon dos Estados Unidos ter banido essa tradição (que, diga-se, mão foi seguida nem pelo avô nem pelo pai de Mitt Romney, que aliás regressaram para os Estados Unidos em 1912).

Mitt nunca foi ao México visitar a família que ainda tem lá. A rádio pública americana NPR foi, e numa interessante reportagem rebate completamente os argumentos da “extravagância” ou até mesmo “esquisitice” associada às colónias mórmon americanas.

Rita Siza

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