Quando Romney chega à cidade

Ainda é cedo para avaliar a eficácia do documentário de 28 minutos lançado pela campanha de Newt Gingrich para desmentir a campanha de Mitt Romney, que alega ter criado mais de 100 mil postos de trabalho enquanto presidente da Bain Capital, uma sociedade de investimento e capital de risco. Pelo contrário, ataca Gingrich, “quando Mitt Romney chegava à cidade” era para cortar salários, despedir trabalhadores, fechar empresas. Os exemplos apresentados são dramáticos.

A campanha de Romney já está a responder, com um vídeo onde apresenta vários funcionários da Bain Capital satisfeitos com o seu patrão. Mas garantidamente o “problema” não vai desaparecer: aquela que era até agora a mais forte credencial qualificadora de Romney para o cargo de Presidente – o facto de ser um gestor bem sucedido de uma sociedade capaz de gerar milhões e milhões de dólares de lucros – transformou-se no seu calcanhar de Aquiles. É que as eleições são geralmente sobre “a economia, estúpido!”, a próxima votação a 6 de Novembro será particularmente sobre o emprego. Essa é a grande vulnerabilidade de Barack Obama: nunca nenhum Presidente foi reeleito quando a taxa de desemprego do país estava acima dos 7%. Mas no momento em que os números mostram um ligeiro “alívio” em termos da criação de emprego, a candidatura de Mitt Romney pode recolher mais agruras do que benefícios da experiência passada do ex-governador do Massachusetts.

O dilema para Romney, é que por mais que se queira posicionar como um empreendedor ou criador de emprego, a companhia que ele fundou é uma sociedade financeira, que não produz nem vende nada a não ser títulos de outras empresas. E esse processo de aquisição, reestruturação e venda, habitualmente implica a perda, extinção ou deslocalização de milhares de empregos. E por muito que defendam os mercados livres e o capitalismo, a base conservadora (composta maioritariamente por pequenos empresários ou trabalhadores de classe média) partilha da fúria dos liberais contra o sector financeiro “personificado” por Wall Street – uma fúria que foi também alimentada pelo movimento populista Tea Party.

O ataque concertado a Romney já está a deixar em pânico o establishment republicano. A sua posição é delicada. Os barões do partido já tinham dado o toque para reunir em torno da candidatura de Romney, que bate todos os seus adversários em termos de elegibilidade. Mas agora que foram confrontados com uma séria debilidade na sua candidatura, só podem mandar recados – seria demasiado arriscado tomar posições mais duras que viessem a abertamente prejudicar as campanhas dos outros concorrentes que ainda por cima têm mais crédito junto da base conservadora do partido.

E há uma voz importante que considera totalmente justos os ataques de Gingrich e Rick Perry a Romney. Sarah Palin veio aliás defender que Romney preste os esclarecimentos devidos ao eleitorado: que divulgue a sua declaração de impostos, que forneça provas de que foi responsável pela criação de 100 mil novos postos de trabalho na América.

As sondagens da Carolina do Sul estão a expôr os primeiros sinais de vulnerabilidade da candidatura de Romney. Depois de duas vitórias em outras tantas votações, a campanha perdeu dinâmica. O ex-governador está a perder eleitores na Carolina do Sul, e os seus opositores começam a aproximar-se nas sondagens – aliás, a Gallup mostra que Romney está praticamente empatado com Gingrich, que é preferido pelo eleitorado mais jovem (31% contra 10% de Romney).

Rita Siza

 

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