A seis meses das eleições presidenciais, o candidato republicano Mitt Romney lidera na última sondagem sobre as intenções de voto com 46% das preferências contra 43% do Presidente Barack Obama — que segundo a interpretação do New York Times poderá ter sido prejudicado pelo seu anúncio de apoio ao casamento gay.
Campanha de Obama atira primeiro salvo contra Bain Capital
Enquanto a campanha do republicano Mitt Romney ainda continua a tentar afinar a sua mensagem relativamente ao tema do casamento e adopção de crianças por casais homossexuais, a equipa do Presidente Barack Obama virou uma nova página no ataque ao seu adversário republicano com o lançamento de um novo canal chamado Romney Economics (qualquer coisa como a Economia de Romney).
É, de certa maneira, prova da confiança dos estrategas de Chicago na sua mensagem económica — e também das iniciativas da sua Administração — de “campeão da classe média”. Os anteriores ataques ao passado de Mitt Romney enquanto fundador, mentor e gestor da sociedade de capital de risco Bain Capital, durante as primárias republicanas, revelaram-se eficazes, erodindo a confiança do eleitorado (a campanha de Obama devia agradecer a deixa a Newt Gingrich, que vingou na Carolina do Sul graças à sua caracterização de Romney como um destruidor de emprego e de empresas).
Os Democratas não se cansaram de bater na mesma tecla, e filmes como este deverão suceder-se nos próximos meses. À semelhança do documentário produzido pela campanha de Gingrich, os videos divulgados pela campanha de Obama têm como protagonistas trabalhadores de empresas compradas pela Bain Capital e que posteriormente faliram, num processo artificial que gerou enormes dividendos e lucro para os investidores mas deixou centenas de trabalhadores e pensionistas sem os seus empregos e fundos sociais.
Mas como explicou uma porta-voz da campanha numa conferência de apresentação da iniciativa, o que está em causa não é o funcionamento do capitalismo per se: o anúncio “tem a ver com os valores”, referiu Stephanie Cutter, referindo-se aos valores que Mitt Romney supostamente privilegiará se tiver acesso à Casa Branca — não os dos trabalhadores, da classe média, mas doscapitalistas, do 1% que beneficia do sistema. Até agora Obama resistiu em usar a retórica dos jornais (e do Occupy Wall Street), mas a sua campanha económica tem a ver exclusivamente com a desigualdade.
Rita Siza
A evolução de Obama
Em 2008, o candidato Barack Obama opunha-se ao casamento gay. Em 2012, o Presidente Obama apoia o direito dos casais homossexuais ao casamento.
Santorum declara apoio a Romney
Discretamente, numa mensagem por e-mail enviada aos apoiantes da sua campanha, o ex-senador da Pensilvânia e, a certa altura da corrida pela nomeação republicana, um temível rival para Mitt Romney na disputa pelo voto dos eleitores mais conservadores, declarou o seu apoio à candidatura do antigo governador do Massachusetts. Era óbvio que o faria, colocando inevitavelmente a escolha entre Romney e Obama, mas ainda assim não era evidente que o fizesse nesta altura da campanha, meses antes da Convenção dos republicanos em Tampa.
Romney ainda conta com a oposição do congressista do Texas Ron Paul — o afável candidato de 76 anos, que se bate pela inclusão dos princípios libertários na plataforma dos republicanos, não tem nenhum incentivo a abandonar a corrida — mas o seu destino está marcado: cabe-lhe a ele convencer o eleitorado americano a desistir de Barack Obama, candidato a mais quatro anos na Casa Branca.
Agora que os dados já estão lançados, aqui fica uma primeira análise do liberal Josh Marshal do estado da campanha presidencial, seis meses antes da eleição.
E, entretanto, alguns dados interessantes sobre a guerra dos (milhões) de dólares já gastos pelas campanhas e os Super-PAC.
Rita Siza
Obama ainda é o candidato da esperança e mudança
A mensagem de Barack Obama ontem, no arranque oficial da sua campanha para a reeleição: ainda tem tudo a ver com esperança, ele ainda é o candidato da mudança em que as pessoas podem acreditar.
Embora uma nova palavra defina a sua candidatura — Forward, para a frente –, os dois eventos programados para ontem à noite (nos estados decisivos do Ohio e da Virginia) jogaram ainda nas emoções remanescentes da histórica campanha de 2008. O que a campanha quer dizer aos eleitores é que aquele futuro risonho que imaginaram há quatro anos ainda é possível. “Quando vos perguntarem sobre o que é esta campanha, digam que ainda é sobre esperança, ainda é sobre mudança”, frisou o Presidente.
Como seria de esperar, Obama defendeu o seu trabalho na Casa Branca, enumerou as conquistas do seu primeiro mandato e, também como há quatro anos, destacou a economia como o grande desafio para os próximos quatro anos. Mas fê-lo sempre com o cuidado de lembrar que “a pior crise económica desde a Grande Recessão” foi a sua herança e não a sua responsabilidade — várias sondagens confirmam que os americanos ainda culpam o seu antecessor George W. Bush pelo estado da economia.
E é precisamente essa convicção que a equipa de Obama pretende explorar durante a campanha, pintando o seu opositor Mitt Romney como um mero “executor” das políticas republicanas que, dizem, resultaram no quadro depressivo que se vive agora na América. O antigo governador do Massachusetts, argumentou, é um bom chefe de família, um verdadeiro patriota, elogiou, mas é também um candidato que aparentemente “não aprendeu a lição” da história. “As mesmas más ideias não vão levar a desfechos diferentes”, disse, acrescentando que políticas como a “desregulação” da economia só beneficiam os ricos, comentou, introduzindo o tema da desigualdade que se prevê vá aprofundar nos próximos meses.
Rita Siza
Transmissão em directo
Para ver Newt Gingrich a suspender a sua campanha presidencial ao vivo, clicar aqui.
P.S. E aqui, uma montagem video com alguns dos melhores momentos da campanha de Gingrich, compilada pela Slate.
O GOP e os gays
A demissão de Rick Grenell, poucos dias depois de ter sido contratado como conselheiro e porta-voz de política externa pela candidatura de Mitt Romney, está a entreter os polemistas de serviço nos jornais e blogosfera americana. *
Grenell, um brilhante estratega e analista, estrela em ascensão nos circuitos do poder republicano, tinha o currículo certo e credenciais impecáveis para agradar às bases conservadoras — num perfil publicado pelo Washington Post durante a “revolução” de Gingrich no Congresso, foi descrito como o paradigma do novo republicanismo, o perfeito partisan, ortodoxo e inflexível.
Qual o problema, então? Ric Grenell é assumidamente homossexual, e no Partido republicano não há lugar para gays.
Assim que a contratação foi anunciada — com a campanha de Romney a garantir na altura que o facto de Grenell ser homossexual era absolutamente irrelevante — as bases evangélicas começaram a exigir o seu escalpe. As suas exigências não tinham a ver com as posições políticas extremas que Grenell defendeu ao longo da sua carreira, mas simplesmente por causa da sua orientação sexual e do facto de apoiar a legalização do casamento gay.
Aparentemente, a campanha de Romney não estava preparada para lidar com a (previsível) reacção das facções mais radicais. Para piorar um bocado a situação, não conhecia uma série de tweets radicais e potencialmente embaraçosos que o próprio Ric Grenell tentou posteriormente apagar do ciberespaço. Até agora manteve o silêncio, mas depois de ter placidamente deixado cair o seu próprio conselheiro, ficar calado pode ser a pior opção para Mitt Romney. Sem falar, o candidato republicano ficará para sempre refém das posições intolerantes dos seus apoiantes mais à direita — e mais afastado do centro que precisa de conquistar se quiser ser eleito Presidente.
* A título de exemplo, aqui fica a polémica através do blogue de Andrew Sullivan, o comentador conservador e gay que desde 2008 é apoiante de Barack Obama.
Rita Siza
Pior do que parece
Com a sua graça peculiar, o mordaz cronista do Washington Post, Dana Milbank, destila hoje o seu veneno contra o “Congresso-que-não-faz-quase-nada” e que esta semana está novamente parado para que os congressistas realizem “contactos com o eleitorado” — leia-se, acções de recolha de fundos para a campanha eleitoral que se aproxima.
Como aponta, nos primeiros 127 dias do ano de 2012, os legisladores da Câmara de Representantes dedicaram apenas 41 às sessões em Washington. desde o início desta sessão legislativa, em Janeiro de 2011, o congressistas aprovaram 106 projectos de lei. Para servir de comparação, Milbank evoca o Congresso com pior registo de aprovação de leis, o de 1947–48, que “só” passou 908 projectos legislativos.
O problema que Milbank só ligeiramente aflora na sua coluna diária é esmiuçado ao pormenor por Thomas E. Mann e Norman Ornstein, dois dos mais reputados especialistas no sistema constitucional e funcionamento do ramo legislativo dos Estados Unidos, no seu último livro “It’s Even Worse Than It Looks: How the American Constitucional System Collided With the New Politics of Extremism” (traduzindo à letra, qualquer coisa como “É muito pior do que parece: Como o sistema constitucional americano colidiu com a nova política de extremismo”).
Os dois académicos, um mais liberal e outro mais conservador, argumentam que a recente polarização ideológica dos dois principais partidos é a grande causa e razão para o actual impasse legislativo e disfuncionalidade no Congresso — e também explica porque só 9% dos americanos aprovam o desempenho dos seus representantes políticos, o valor mais baixo de sempre (será possível descer mais baixo?).
Mas na sua opinião, o Partido Republicano é o principal responsável pelo imobilismo que tomou conta do Congresso, e tem mais culpa no sentido em que, mais do que os seus adversários, escolheu fundar a sua acção política na absoluta rejeição do compromisso e, de forma por vezes ridícula, recusando-se a aceitar ou reconhecer a validade dos factos, provas e evidências.
Um outro resumo da obra está aqui. Ainda que sejam só umas pinceladas gerais, são uma boa leitura para quem se interessa pelos meandros da política americana.
Rita Siza
Aniversário
No primeiro aniversário da operação militar norte-americana que culminou com a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin laden, no Paquistão, o Daily Beast publicou excerptos do livro “Showdown”, onde o veterano jornalista David Corn descreve o processo de consultas, planeamento e decisão na Casa Branca. “It’s a go”, comunicou o Presidente Barack Obama, fazendo avançar as tropas — numa das mais arriscadas manobras militares e jogadas políticas da história dos Estados Unidos.
Aproveitando a data, a campanha de Barack Obama lançou um video para assinalar a efeméride e atacar o seu rival republicano Mitt Romney.
Entretanto, o liberal Talking Points Memo, que apoia Obama, resume a (evolução da) reacção dos republicanos à morte de bin Laden, em cinco etapas.
Febre de sábado à noite
Desde o primeiro discurso no jantar dos correspondentes da Casa Branca, o Presidente Barack Obama deve ter a) contratado uma nova equipa para escrever os seus discursos; b) aprendido as regras básicas do stand-up comedy. Ou então, por força da convivência diária, os jornalistas que diariamente trabalham na Casa Branca aprenderam a apreciar o humor do Presidente. O caso é que, no sábado passado, a prestação de Obama foi um sucesso.
A anteceder o Presidente, o comediante Jimmy Kimmel também distribuiu piadas políticas sem misericórdia ou preferência.