Sibiu, a joia da Transilvânia

Sem dúvida, dos meus lugares favoritos na fantástica Roménia. Uma cidade de joviais 900 anos que tem tudo o que aprecio: gente hospitaleira, boa comida, arquitetura, lugares bonitos, história, natureza, cultura…

A cidade ganhou dimensão internacional quando foi capital europeia da cultura em 2007, mas também porque, face aos seus inúmeros méritos, a revista Forbes e o The Huffington Post a colocaram em restrita lista dos mais idílicos lugares a visitar na Europa. No velho e no novo Mundo, Sibiu é palavra cada vez mais conhecida e desejada. E explorada pelos restantes romenos e cidadãos de todo o Mundo, estimulando a sua abertura à multiculturalidade.
O centro histórico é o maior do país e provavelmente o mais belo e mais bem conservado. Numa cidade abrigada por muralhas e torres, destaca-se o seu ar medieval espelhado nos dois níveis pelos quais o centro urbano se espraia. Há história em todos os seus poros, seja nas casas particulares ou nos edifícios públicos. Nas igrejas e nos vestígios defensivos.
As praças centrais e as adjacentes ruas estreias – e outras mais imponentes – têm uma grande importância do ponto de vista arquitetónico e histórico. Na verdade, diversos estilos arquitetónicos convivem em harmonia e destacam-se através da forma das claraboias, dos telhados, das ombreiras e até das persianas. Difícil não reparar naqueles misteriosos olhares vigilantes em todos os telhados…
Há um relógio que, na sua versão atual, funciona desde 1588, tendo substituído, na altura, um outro ainda mais antigo. A nova camara municipal é um hino à elegância e criatividade dos génios transversais ao tempo. E subir à mais altiva torre na praça principal (Turnul Sfatului) permite-nos uma vista incomparável sobre toda a cidade, descobrindo todas as suas outras torres e picos de edifícios.
Esta é também a terra dos museus. E o Brukenthal é o primeiro da Roménia, inaugurado em 1917, começando com coleção que inclui pinturas, selos, biblioteca e numismática do barão que lhe deu o nome… e o edifício. O projeto cresceu e hoje inclui os museus de história, de história natural, da farmácia e da caça. Juntamente com o complexo Astra, igualmente museu nacional, tornam a cidade ainda mais atrativa na parte cultural.
O meu entusiasmo por Sibiu fez-me esquecer que esta encantadora cidade da Transilvânia era, até recentemente, habitada essencialmente por alemães, entretanto regressados à pátria com os incentivos do governo. Agora serão apenas uns 2.000, mas o presidente da autarquia é… germânico.
A cidade aguentou a perda. E está cada vez mais esbelta, com predicados de sobra. Como o amplo museu etnográfico ao ar livre, nos arredores, na floresta Dumbrava. Estruturas, paisagens e modos de vida de cada uma das regiões.
Mas o que mais me prende, o que me enfeitiça é mesmo este centro que me transporta a tempos idos, numa tela polida, com praças pavimentadas, azáfama das zonas pedonais, repletas de gente sorridente.
A Piata Mare (a praça principal) alberga regularmente feiras tradicionais e brinda-nos novamente com a sua ousadia. A Turnul Sfatului é a tal torre que parece controlar o Mundo e tem passagem para a Piata Mica, mais pequena, igualmente encantadora.
Deste lado, encontramos a ponte das mentiras. Era aqui que se faziam negócios entre mercadores. E onde os apaixonados faziam juras de amor. Para este nome ter vingado, presumo que uma e outra atividade não terão sido totalmente felizes nos exemplos dados à sociedade.
A Strada Nicolae Balcescu é a grande e espaçosa pedonal onde todos aparecem para ver e ser vistos. Tem restaurantes, gelatarias, lojas de souvenires e um movimento perpétuo, com as esplanadas sempre animadas.
O centro histórico faz-se tranquilamente caminhando e podemos arejar do tecido urbano no parque da cidadela. E apreciar a muralha Turnul Dulgherilor. Se possível, também não devemos perder um espetáculo logo ali ao lado, na Filarmonica de Stat.
Aliás, permanece-me a dúvida se prefiro Sibiu ao esplendor do dia ou se me enamoro mais com a luz turva e as sombras que enfeitiçam a noite. Esta cidade prende em qualquer circunstância.
Crama Sibiul Vechi. Old Lisbon (sim, português e com comida boa, da ‘nossa’). Crama Ileana. Qual deles a melhor experiência? Seriam precisas muitas linhas para contar o prazer de uma refeição nestes singulares restaurantes…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua invulgar aven­tura por Palma de Maiorca, Roménia, Moldávia, Itália e São Marino. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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