Constança, nem só de praia vive o Mar Negro

É o destino favorito de férias dos romenos amantes de praia, mas já foi dos prediletos da realeza Europeia, por volta do ano 1900. Entretanto, a nobreza perdeu estatuto no burgo fundado pelo imperador Constantino, O Grande – não apenas na sociedade, mas também na decadência dos edifícios seculares da cidade, nascida 600 anos antes de Cristo– e Constança foi hibernando… até se reinventar.
Confesso algumas semelhanças com o encantador Porto que me adotou: sobra-lhe beleza, só há que a recuperar. Enquanto a Invicta renasceu, pujante como nunca (talvez demasiado, para meu gosto), Constança ainda hesita se há-de despertar. Para o turismo de praia, sobra-lhe energia, nomeadamente em Mamaia. Mas tem grande potencial, aparentemente desperdiçado, na sua vertente cultural.

Custa-me ver o abandono a que o casino foi vetado. Não pela atividade em si, mas pela qualidade arquitetónica do edifício. E a privilegiada localização. De frente para o imenso plano de água, com as ondas do Mar Negro a murmurar na sua estrutura agora habitada por gaivotas e gatos perdidos… É um dos edifícios de maior beleza neste país – Art Nouveau – e a chuva e cinzento do céu confere-lhe um misticismo ainda mais especial. Imagino que também brilha na tela, num qualquer passeio soalheiro ao fim da tarde…
A pitoresca cidade velha, onde encontramos tesouros arqueológicos, tem o charme de uma Veneza delapidada. E concentra, muito próximos, três notáveis edifícios de outras tantas religiões. Recuso-me a entrar na mesquita Mahmudiye – por princípio, deixei de visitar lugares sagrados que exigem dinheiro pela entrada –, a principal do país, mas aprecio, sem a maçada de tempo contado, a catedral ortodoxa (incluindo ‘missa’ para um pequeno punhado de fiéis) a dois quarteiros e a igreja católica romana logo ao pé.

Ao lado da ortodoxa, achados arqueológicos com casas de entre os séculos quarto e sexto. Ali, com vista para o mar. E para o abandonado casino que me arrebata, e a cujos pés temos um humilde aquário. E a poucos metros do conhecido farol Genovês. Não tem o uso de outros tempos na que continua a ser a grande porta do país para o Mar Negro, constituindo o seu principal porto.
Se o infindável porto impressiona, negativamente, na paisagem, quem para cá vem aposta regularmente em Mamaia, logo ali ao lado, com longas praias e gente bonita. É o lugar da moda. São oito quilómetros de areia dourada e múltiplos motivos para saborear o verão. Aquaparque, restauração, hotéis, bares e discotecas.

Fico-me por Constança, abençoada pelo museu nacional de história e arqueologia. Só por si, o edifício já justifica a visita. Está na praça principal (Piata Ovidu) e é belo e imponente, qualquer que seja a esplanada da qual deleitamos a vista. Entrando, acesso a impressionante coleção de artefactos gregos e romanos. Que também por cá deixaram termas que ainda estão em funcionamento.
Há um outro parque arqueológico, na Boulevard Republicii, que abriga colunas e fragmentos de três edifícios do século IV e uma torre do século VI. Não sei se o festival nacional de folk, que anualmente se realiza por estas bandas em agosto, contempla este espaço. Eu já imaginei como a experiência poderia ser…
sobrenatural.
Tanta coisa boa para ver sob persistente chuva abre o apetite. A comida grega é popular por aqui e o Niko’s é o mais bem conceituado por estas bandas. Sou grande apreciador da comida mediterrânica, mas nunca imaginei que me fosse perder como o fiz…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua invulgar aven­tura por Palma de Maiorca, Roménia, Moldávia, Itália e São Marino. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

 

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