Formentor e o idílico Cala Figuera

Miradouro em miradouro, rumo a norte. É difícil avançar nesta terra. Não falo do ziguezaguear do caminho, antes dos sucessivos exemplos de inesperada beleza que confundem a ideia (começo a pensar que preconceituosa) que sempre tive de Palma de Maiorca.
Formentor. É o nome do cabo que norteia o meu pensamento. Rompendo paisagens de surpreendente formosura, dirigimo-nos para o ponto conhecido por juntar todos os ventos. Perceberei porquê…
Sei que me esperam algumas das mais arrebatadoras vistas de Palma de Maiorca, desconhecia era que, também neste caso, o caminho é mais belo do que o destino em si.
Curva após curva, luxuriante flora, montanhas brutas, cores intensas abraçadas por um céu de autoritário azul. Uma luminosidade que faz esquecer o estranho inverno que assombra Portugal.

São cabras que nos recebem no ponto mais a norte da ilha. Soltas em Formentor. Aparentemente felizes. E muito sociáveis: por vezes demasiado, tentando comer a roda da bicicleta de um dos ciclistas ainda com os bofes de fora pela derradeira subida. São 384 metros no ponto mais alto sobre o mar, bem lá em baixo. E várias baías associadas a esta referência, como as ‘cala’s’ Figuera, Murta e Pi de la Posada.

A paisagem é imponente, mas é já quando avançamos na exploração em direção a Port D’Alcúdia que petrifico. Paramos em zona proibida – difícil deixar este mau hábito lusitano, quando a paisagem nos enfeitiça – e descobrimos uma envolvente paleta de azuis. Mesmo ali em baixo. Rodeada de inóspita rocha e montanha. Cala Figuera…
Avançamos e estacionamos. E são uns 20 minutos a descer, por terrenos íngremes e irregulares, pouco propícios para aventuras, até encontrar a desejada praia. Deserta. Totalmente. Este postal é todo nosso.

Há pedras onde suspiro por areia fina, que afagarão os meus pés só
quando já usufruo destas águas cristalinas. A temperatura da água também podia ser mais convidativa, mas neste cenário não vou ser esquisitinho. Isabel, Patrícia, Joana e Marco não sabem o que perdem por se deixarem intimidar por estas condições e optarem por serem meras testemunhas do meu
prazer.

Como vim ao Mundo, usufruo do melhor que esta ilha até agora me ofereceu. Já nem sinto a temperatura da água e quando esta me dá pelo pescoço já é sublime areia fina que me afaga os pés. Quem, lá em cima, ao longe, avista a minha felicidade será tentado a descer. Mas ninguém o faz no tempo em que por cá ficamos.

Mais tarde, após momentos de egoísta luxúria, é com frustrada renitência que sairei da água. Faço-o com a certeza de que este é dos melhores momentos desta jornada por Palma de Maiorca.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua invulgar aven­tura por Palma de Maiorca, Roménia, Moldávia, Itália e São Marino. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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