Palma, a Bela Surpresa

Palma só é surpresa para mim, que confesso nunca ter revelado qualquer interesse pelas ilhas espanholas. Imaginei sempre uma cidade descaracterizada pelo turismo. Cometi o erro de não ter a história em conta. E para entender a capital das ilhas baleares é fundamental ter em mente o seu rico passado.

Quando os romanos cá chegaram, em 123 AC, já as ilhas eram habitadas. Vieram depois os Vândalos,  seguidos dos árabes em 903. O rei de Aragão tomou as ilhas em 1229. O seu papel estratégico no Mediterrâneo – comercial e militar – conferiu-lhe a devida importância.  Agora é o turismo quem dita leis. Em 1960 foram 500 mil a visitar Maiorca.  Em 1997, subiu para consideráveis 6,7 milhões.  Em 2001 quase 20 milhões usaram o aeroporto e milhão e meio chegaram por mar, em cruzeiros. Isso explica a dimensão do porto da cidade de 427 mil habitantes, a oitava maior de Espanha. Os números atuais? Ainda mais obscenos, seguramente. Situo-me na cidade velha, com nova alma quando na mudança do milénio um conjunto de projetos urbanísticos mudou a cidade,  a começar pela reabilitação do bairro histórico Sa Calatrava, iniciada em 1998.

“Estava em elevado estado de degradação devido ao abandono de muitos edifícios e ao narcotráfico reinante”, conta-me José. Vários dos projetos ficaram marcados por escândalos de corrupção – a ausência de princípios e valores, bem como a menoridade intelectual não têm fronteiras – mas isso não interessa aos muitos que coloram as ruas, embeiçados pelo movimento. Comércio e
restauração tomaram conta da bela, mas muito agitada zona histórica. Alguém se lembra ainda do atentado da ETA em 2009? Quatro artefactos explosivos e um guarda civil morto, apenas para a história.

Pátios inspirados nas casas medievais catalãs, com balcões adornados de balaustradas e ferro forjado, com o brasão intramuros,  são mais de 500 os registados pelas autoridades. Há quem tenha a ‘sorte’ de viver num destes marcos de história.  Outros foram transformados em luxuosos projetos turísticos. A central Plaza Mayon, de onde nascem algumas das grandes vias, alberga o solar outrora sede da Inquisição, mas o que mais impressiona em Palma é a ‘La Seu’, ou seja, a majestosa catedral de Santa Maria de Palma. Um marco admirável, de estilo gótico, e com vista privilegiada para a baía. Possui a segunda nave mais alta da Europa, apenas superada pela de Beauvais, nos arredores de Paris. Dizem ser a única catedral do Mundo a refletir a sua silhueta no Mar, neste caso em sereno espelho de água.

O castelo de Bellver é o primeiro medieval redondo e apenas um dos três dessa forma no Velho Continente. O museu histórico militar de Palma está no pequeno castelo de artilharia de San Carlos, construído à entrada do porto, para sua defesa. Destaque ainda para os banhos árabes,  dos poucos vestígios da arquitetura muçulmana na ilha. Destinada aos banhos quentes, tinha chão duplo por onde circulava a água quente e o vapor. O Palácio da Almudaina é ainda uma das residências oficiais da família real espanhola. E somente mais um ponto de interesse para quem, como eu, não fervilho em entusiasmo por praia. Ou para quando o mau tempo aconselha um plano B.

Palma tem o condão de me despertar a curiosidade pelo resto da ilha. E nem imaginava as fantásticas surpresas que me aguardavam…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua invulgar aven­tura por Palma de Maiorca, Roménia, Moldávia, Itália e São Marino. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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