Marsaxlokk, cores e barcos com olhos

A fila extensa, na verdade a única com frenesim na grande central de autocarros de La Valetta, logo indica que se trata de um destino especial. A escassez de malteses a aguardar pela entrada na viatura 81 mostra que se trata de um lugar turístico. Marsaxlokk não podia, de facto, passar ao lado do interesse coletivo. Sobretudo ao domingo, quando o seu famoso mercado é calcorreado por curiosos oriundos de toda a ilha. É o dia em que os seus 4.000 habitantes são minoria na sua própria casa…
O sol – uma constante em Malta – é ingrediente essencial para destacar o colorido do cenário, pintado por pequenos barcos de pesca com uma característica muito particular: têm olhos. Literalmente. Pintados, claro.
“Os barcos com olhos”, os chamados ‘luzzus’, são a imagem de marca desta charmosa vila de pescadores. Um distintivo peculiar típico deste lugar, que se traduz na procura de proteção contra todos os perigos. As suas cores intensas mescladas no cristalino, mas intenso azul do mar sereno destaca o pigmento de uma obra de arte que, sei, ficará em exibição permanente nas minhas memórias.
A paisagem é, realmente, excecional. E, desta vez, sinto-me aliviado pelo aparecimento do digital na fotografia. É realmente complicado resistir a premir o gatilho…
Estamos no sudeste de Malta, a uma hora de La Valetta. O conselho é ir ao domingo… cedinho. Marsaxlokk… (Marsa = porto + Xlokk = Sudeste… em palavra que tem a ver com o vento seco que chega do deserto do Sahara). Descemos do transporte mesmo antes de chegar à povoação que vamos percorrendo, sempre pela marginal.
O mercado, que começou precisamente pelos produtos do mar, alargou-se e também podemos encontrar produtos locais como mel, doces de frutas, vinho, frutas e legumes. As turísticas lembranças também não faltam, tal como roupas e artigos diversos para cozinha.
O peixe – ahhhh que aspetoooo!! – e duas roulottes com comida tradicional anunciam bom pronúncio para um par de horas mais tarde.
Na praça principal, destaca-se a igreja dedicada a Nossa Senhora de Pompeia, radiante obra do século XIX. É o palco central de muitos festejos e procissões, ao longo de intenso ano festivo. À sua frente tem vários restantes entre as muitas opções na marginal.
A uns 25 minutos a pé, a piscina natural de São Pedro é uma das mais cativantes de Malta, mas não consigo abandonar-me de Marsaxlokk.
Na encosta, o monte de Tas-Silg tem restos de templos megalíticos: poucos são os que os procuram. Este lugar foi usado no passado também para fins religiosos.
Os restaurantes de Marsaxlokk são muito tentadores… porém o mercado não lhes permite acesso visual ao mar. E eu, que me servi em roulotte que oferece, ao peso, diversos frutos do mar, já escolhi a minha esplanada de luxo: um pequeno pontão de pedra, com privilegiada vista ampla panorâmica para toda esta liberdade sensitiva…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura por Malta. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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