Bérgamo, bela aristocrata ‘escondida’‏

Sem dúvida, um dos incompreensíveis ‘segredos’ de Itália. Vive à sombra de Milão quando me ‘dá’ sempre muito mais do que a dita cidade da moda: eu não tenho dúvidas, Bérgamo é um dos lugares que mais aprecio no país.

Quis o destino que o seu aeroporto, a três quilómetros da cidade, seja um dos privilegiados pela diversidade de voos para toda a Europa. Sendo assim, é, novamente, um prazer.

Um museu a céu aberto, com a sua ‘città alta’ a sobressair numa paisagem diversificada. Muralhas com meio milénio que outrora protegiam de saques e invasões. Agora, ajudam a pintar o cenário com beleza estonteante, realçando o caráter de um dos mais belos burgos transalpinos.

O que falta em turistas (felizmente), sobra em história e arquitetura. E igrejas adornadas por mestres ao nível dos que mereceram a imortalidade na história. Vielas estreitas, escadarias charmosas e praças amplas e animadas. Já falei da comida?

Città Bassa (Cidade Baixa) e Città Alta (Cidade Alta) dividem perfeitamente esta cidade de uns 120.000 habitantes: a primeira é a zona mais residencial e comercial, enquanto a outra é pura história, arqueologia e magia. Separadas por imponentes muros de 20 metros que a República de Veneza levantou no século XVI quando era senhora toda-poderosa da região.

Sant’Agostino, San Giacomo, Sant’Alessandro e San Lorenzo são as portas de entrada na cidade alta, cercada por jardins e macieiras. Igrejas, museus, teatros, restaurantes, lojas gourmet e famílias mais abastadas vivem nesta peculiar fortaleza.

Em qualquer alojamento lhe oferecem um pequeno mapa com duas sugestões de passeios pedonais: segui-los não será tempo perdido, pelo contrário.

Piazza Vecchia é a alma da Città Alta, uma praça renascentista embelezada pelo Palazzo della Ragione (Palácio da Razão), do século XII, Palazzo Nuovo (Palácio Novo), do século XVII, e a Torre Cívica, de 52 metros de altura. Do seu imponente sino, podemos ver a 360.º e render-nos, definitivamente, a Bérgamo e à natureza que a rodeia.

Invariavelmente, às 22:00 o sino soa… 100 vezes! Recorda os tempos em que era anunciado o fecho dos portões da cidade alta. Oficialmente, o dia terminava e havia que recolher.

A Basílica de Santa Maria Maggiore é um dos mais fantásticos exemplos artísticos da religião no país. Foi em 1137 que começou a ser erigida e abraça vários estilos arquitetónicos. Ladeada pela catedral da cidade, onde vale a pena apreciar o fresco “O Martírio de Santo Alexandre”, obra-prima do napolitano Nicola Malinconico (1694), com o patrono de Bergamo cercado de anjos e pagãos pouco antes de ser… decapitado.

O Battistero (Batistério, JURO que nada tem ver com o meu Batista) é fonte batismal octagonal (século XIV) com baixos relevos em mármore com históricas sobre a vida de Jesus Cristo.     

O ativo Teatro Sociale (1808), o Museu Donizettiano (dedicado o talentoso músico que compôs mais de 70 óperas no século XIX) e a Academia Carrara (exibe mais de 2.000 obras de inspiradores da estirpe de Rafael, Botticelli, Ticiano, Bellini ou Canaletto) merecem igualmente atenção. A citadella…

Cá por baixo, Piazza Pontida. Pelas esplanadas. Pelo ambiente. Pela traça e colorido do casario histórico. E a Antiga Trattoria Dei Tre Gobi. Visitem-na e fiquem a perceber a magia deste lugar de outros tempos. Para saborear o puro prazer da comida italiana? Entre a muita oferta, a melhor foi a mais simples: um cubículo na via Sant’Alessandro (sobe em direção à porta de San Giagomo) chamado Il Coccio. Tem apenas três mesas e um pequeno balcão. O lugar é simples e nada tem de típico. É mesmo pelos sabores… e pela simpatia dos promotores do projeto.

Saindo do burgo, um dos passeios mais agradáveis inclui subidas ao Parco delle Rimembranze (Praça das Recordações) e ao Castelo di San Vigilio. As pernas podem queixar-se, mas vão agradecer. Estão ambos em pontos altos e a panorâmica justifica. Rimembranze é sinónimo de natureza e caminhadas, também pela fortaleza “La Rocca” (século XIII) e o Museu del Risorgimento. Já o castelo (século XIV) vale penas vistas, essencialmente para a zona rural envolvente a Bérgamo. A ‘escalada’ é a pique, pelo que os menos persistentes podem aproveitar a boleia do funicular ao lado da Porta San Alessandro.

O fim do dia? Sobram restaurantes e cafés históricos (além das sugestões anteriores), gelados e doces (Hummm… Polenta e Osei).

Felizmente, Bérgamo não está nos roteiros mais mediáticos de Itália. Contrariemos essa injustiça e aproveitemos este destino… até como a escala ideal e saudosa para qualquer outro lugar da Europa.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura por Malta. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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