San Telmo, o Boémio

Eis um bairro que merece uma enciclopédia, embora me limite pelo esboço de umas linhas. É, por excelência, o bairro boémio de Buenos Aires. Um Mundo deste universo que é capital Argentina.

Restaurantes típicos, cafés tradicionais, bares invulgares, antiquários, lojas menos convencionais e um mercado que, muito provavelmente, não tem ímpar na cidade. Parte junto ao palácio Rosado (casa do governo), Plaza de Mayo, e percorre toda a Defensa até à mítica e imperdível Plaza Dorrego.

Aos domingos, esta zona enche-se de gente – ‘confusão’ saudável, apenas desaconselhável aos que padecem de extrema sensibilidade e fobia às… pessoas – sorridente. Os vendedores felizes e comunicativos pelo negócio e os visitantes entusiasmados a despachar pesos como se não houvesse amanhã. Isto porque é completamente impossível percorrer estes cerca de 1500 metros de sedutoras banquinhas sem nos perdermos de amores por mil e uma coisas.

Artesanato. Antiguidades. Roupa. Souvenires. Comida. Instrumentos musicais. Produtos típicos. T-shirts. Um sem fim de coisas que não lembra ao diabo… A preço mais em conta e em ambiente regularmente colorido por artistas locais, de todos os géneros. Vamos encontrando quem cante, quem toque, quem dance… mímicos, palhaços e outros personagens que transformam qualquer dia de inverno numa experiência soalheira.

A estátua da Mafalda, a sabichona argentina, é mais do que requisitada para fotos. Sentada, espera por nós. Por este mercado, são milhares de passos sem que os pés se queixem. E, se o fizerem, não faltam opções para um aprazível café ou mate. Vinho ou cerveja.

São incontáveis os motivos para prolongar a estadia pela noite, já que não faltam lugares para apreciar o sensual tango. Enquanto degustamos suculentos bifes de ‘lomo’ ou de ‘chorizo’. Ou qualquer outra iguaria, pois aqui sobram lugares onde é impensável o palato não ficar completamente rendido.

A Plaza Dorrego é a segunda mais antiga da cidade – depois da de Maio – e está no coração de San Telmo, que no século XIX era bairro residencial. A arquitetura é a original. Além de antiquários, alberga restaurantes, cafés, bares e pubs, o que a transforma num dos pontos mais procurados da cidade. É que aqui é lugar privilegiado para exibições públicas – e gratuitas – de tango. Nas quais os visitantes podem participar.

Aos fins de semana, extremamente concorrida. Natural, pois decorrem imensas atividades artísticas e culturais. Durante a semana, mais calma e relaxada. Para um copo em esplanada.

Deambulamos pelo empedrado por mais do que uma vez. Até porque o café Dorrego não se consome num só trago. Lugar mais rústico do que o Tortoni, ideal para relaxar, sorver um vinho e comer umas tapas. Perco-me com o mobiliário antigo e as dezenas de fotos a preto e branco de ilustres figuras. Apetece estar. Ficar. Apreciar esta atmosfera.

Mas é hora de voltar, novamente, à rua Defensa, por volta do número 900. Guarda um dos melhores segredos de San Telmo: DesNivel. É assim que terminam duas das nossas noites. A melhor comida, com o mais simpático dos atendimentos em ambiente relaxado e popular. Um lugar pitoresco que fica tatuado nas melhores recordações de Buenos Aires.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pela Argentina e Uruguai. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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