Lento regresso às origens

São mais de 900 quilómetros a ligação de Shiraz a Teerão. E deparamo-nos com a derradeira oportunidade de viajar no meu meio de transporte favorito: o comboio. Um lento regressar às origens que permitirá relembrar, sem tempo, tudo o que temos vivido neste país que há muito conquistou lugar de destaque no nosso peito.

A estação de caminhos de ferro fica em zona erma fora da cidade. Infraestrutura ultramoderna, a indicar o futuro. Esperam-nos umas 15 horas em composição com todas as comodidades. Estaremos divididos entre três compartimentos.

Antes de embarcarmos, ainda tempo para visitar um novo shopping. Um colosso… de desorganização e ‘mau gosto’. A meus olhos, diga-se. Um denominado elefante branco no meio de lado algum, com fracas acessibilidades e muito pó. Ao menos o consolo de não encontrar multinacionais. Ainda…

Quando partimos para Teerão, ainda vemos parte da paisagem da zona de Shiraz, mas rapidamente a noite toma conta de tudo. Há conversas com locais – não vemos mais turistas em toda a estação e comboio – e marcação do jantar para o vagão-restaurante.

Inevitavelmente, os portugueses tornam-se o foco das atenções gerais, nada que preocupe. Bem pelo contrário. Facilita a comunicação. Só faltou o proibido vinho nesta última ceia…

Quando acordo – a noite foi serena e geralmente bem dormida, como é hábito nos comboios – ainda vou a tempo de ver os arredores de Teerão.

Tomado o banho no hotel, estamos prontos para as últimas 10 horas de liberdade antes de voltarmos a Portugal. Oportunidade para as últimas compras e um ‘insta-meet’ promovido pelo ‘@Kitato’ (Luís Octávio Costa) na Azadi Tower (ou torre da Liberdade), o grande símbolo de Teerão. Impressionante obra com 45 metros de altura e composta por 25.000 placas de mármore branco de Isfahan.

Construída em 1971 para comemorar os 2.500 anos do Império Persa, foi chamada originalmente de ‘Shahyād’, que significa “memorial dos reis”. Passou a designar-se Azadi (“liberdade”) a partir dos protestos que aqui tiveram lugar em 12 de dezembro de 1978 e que conduziriam à Revolução de 1979.

O fim de tarde é preenchido com chá, bolos e boa conversa. No Naderi, café histórico. Já o jantar é no ‘Romance Café’… a melhor forma de nos despedirmos de um país que a todos, sem exceção, apaixonou.

Hoje chove. Pela primeira vez. Também a Pérsia e as suas Lendas choram por nos ver partir…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelo Irão. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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