Milenar Meybod

Rapidamente percebemos que mergulhamos profundamente na história. Da antiga. O castelo de Narenj, em Meybod, a segunda cidade da província de Yazd, apresenta-se como um amontoado de ruínas. Uma fortificação em tijolos de barro, ainda do período pré-islâmico, que sofre da erosão dos tempos. Mais um castelo das dinastias Aqueménida e Sassânidas, de há uns 2.000 anos… É monumento de interesse nacional à espera de que a UNESCO dite o seu interesse para a Humanidade.

No cimo da colina, na estrutura central, podemos avistar um horizonte bem longínquo. Que apenas confirma a aridez da paisagem. Sobreviver aqui séculos após séculos só pode dotar os persas de um especial sentido engenhoso e… de sobrevivência.

Onde antes se travaram ferozes lutas, agora multiplicam-se as fotografias. Há uma turma do secundário que desespera por organizar-se para o retrato de família. Depois, querem portugueses a ‘honrar’ a foto.

Há fissuras que revelam que a estrutura deverá ter sobrevivido também a vários terramotos. Nem por isso se desfaz ou desmorona. Curiosa, esta durabilidade vs regressão da fiabilidade das construções ao longo dos séculos, nos quais o conhecimento e a tecnologia parecem apenas servir ao ‘capital’.

Há quem defenda que estes castelos laranja (‘nareng’) – são muitas as estruturas semelhantes espalhadas pelo país – descendem de templos-de-fogo do zoroastrismo, cujo centro mundial de culto é bastante próximo.

Estamos em mais uma histórica cidade no deserto – cerca de 75.000 habitantes – que, inclusivamente, chegou a ser capital do país, no reinado de Mozaffarid. Meybod foi berço e resistência de grandes poetas, sufistas, religiosos e políticos.

Algumas das suas muitas relíquias históricas, espalhadas pela cidade, foram destruídas pelas autoridades, que não compreenderam o seu valor arquitetónico. Ainda assim, sobraram motivos de interesse para receber, diariamente, número apreciável de visitantes.

Esta cidade de adobe também se degusta com gelados. E este, tem o sabor da simplicidade de quem o vende: ‘invadimos’ o seu estaminé, provamos os diversos sabores, trocamos sorrisos e no fim cumprimos com as nossas obrigações de ‘convidados’. Assim, nesta Meybod tudo é mais intenso…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelo Irão. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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