Teerão com estilo

O Irão tem tudo para ser um ‘best seller’ do turismo Mundial. E quisemos confirmar antes que o inevitável ‘boom’ comece. “O Presidente Rohani está a mudar muito o país. O Ahmadinejad foi para nós uma regressão civilizacional. Acreditamos que o turismo vai intensificar”, diz-me ‘Fatima’. Sinto que sim. Poucas horas já permitem apreender algo da textura da nação.

Sem rodeios, vamos começar com estilo: Palácio Golestan.

A obra real mais antiga de Teerão já foi o centro da cidade. Excessos da dinastia dos Qajar que agora agradecemos. Opulência do séc. XIX em edifício com encantos e temáticas distintas. Nasser al-Din Shah ficou impressionado com o que viu em várias cortes europeias e decidiu imitar os palácios… Com uma outra opulência. Sublime requinte persa. O fantasiado sonho das 1001 noites…

Cada edifício tem bilhete autónomo. O complexo foi ainda maior, num passado não demasiado distante, mas os Pahlavis ‘traíram’ a herança nacional. Seguimos os ponteiros do relógio, em entusiasta visita.

Iavn-e takht-e marmar. A primeira expressão de assombro. Um trono de mármore.  Trabalhado com desenhos sugestivos e pedras preciosas, suportado por figuras humanas em peças de alabastro. Estamos em luxuosa sala de audiência. Há jogos de vidros e espelhos. E magia também nos tetos. Fina arte. Fath ali shah tinha mais de 200 mulheres. Sabia impressionar…

Este é palco de importantes cerimónias. Reza shah (1925) foi aqui coroado no mais imponente estilo napoleónico. Não seria o único.

Voltamos ao jardim. Pena os lagos sem água. A manutenção falha aqui.

Shams-al emarat, o edifício do sol é o próximo que decidimos visitar. Já foi o edifício mais alto de Teerão, apenas três andares, mas com vista suficiente para a ampla planície. Um absorvente mix dos estilos persa e europeu. As salas com jogos de sucessivos espelhos. Não podemos subir. O estado de conservação não o permite, diz o funcionário. Pena. Pela vista e decoração.

Aks khaneh tem fotos. Sobretudo da vida da corte. Uma sala fascinante. Mas agora detemo-nos, intemporalmente, na casa de chá… Ainda a observar este dengoso primeiro impacto.

Golestan é UNESCO. Imperdível em visita a Teerão.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelo Irão. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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