Diana, a verdadeira artista

Travessa dos Artistas. Dificilmente uma noite pode ser tão bem passada em Ponta Delgada. Musica ao vivo. Casa cheia. Ambiente genuíno, local. Apenas nós e uns dinamarqueses a destoar.

A noite é memorável também pelo ritmo e entusiasmo que o grupo de música da região empresta a um momento que pretendemos perpetue o nosso desejo de voltar uma e outra vez.

Quando perguntamos pela entrada do bar, Diana aponta-nos para uma porta em rua lateral. Estava a segundos de tatuar as suas atitudes nas memórias mais vincadas desta aventura açoriana.

Tem uns 50 e veste bastante bem. Tem pinta e sotaque que não engana: é da terra. Sem que lhe perguntemos, abre-nos o livro da sua vida. Divorciada há uma semana. Queixa-se de ter recebido apenas uns 15 por cento do que o seu ex-marido lhe devia dar. E não é simpática nos comentários.

Subitamente, passa-me a mão pela barba: “Ai se eu tivesse menos uns 10 anos…”. Atrevidinha, penso. Até ela se virar e, de supetão, acariciar o rosto de um dos meus amigos e lhe cravar dentes e lábios no pescoço. Assusta-o. Surpreende-nos.

Atitude bem ousada que ia tendo correspondência nas palavras. Diana, nome de código, está imparável e não tarda a procurar o meu pescoço. E o rosto de um elemento feminino do grupo.

Acho que está na hora de entrar e avanço. Diana não se cala e mantém o ‘interesse’ do grupo. Está com amigo brasileiro, uns 20 anos mais jovem, a quem pede para ir buscar “material” para o grupo. Ao que parece, refere-se a algo pesado.

“Vamos fazer uma orgia?”, sugere de imediato, perguntando em que hotel nos instalamos. É aí que o contacto se dilui. Todos entram no bar. Diana passará a noite no mesmo bar, com outros protagonistas.

Há quem se destaque por motivos mais… líquidos. Alguém que insiste em cumprimentar cada um dos dois vocalistas após cada musica. Que age como se fosse maestro. E que ameaça tantas vezes cair, até que o faz: para o palco, tombando os microfones e acertando com a cabeça na bateria. Épico. Perguntamo-nos se não será o “ex” da Diana.

Resulta e desaparece. O concerto já deveria ter acabado, mas o entusiasmo geral não o permite. Tudo salta. Tudo canta. Tudo sua.

Perdemo-nos na noite. E como é difícil encontrar o caminho do Continente.

Shhhhh… voltaremos brevemente.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelos Aço­res. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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