Parque Terra Nostra: Luxúria Atlântica

A revista Condé Nast Travel considerou-o um dos mais bonitos parques do Mundo. Este jardim botânico no vale das furnas tem mais de 600 géneros de camélias e a maior coleção de cicas da Europa. Mas não é por isso que viemos a este paraíso criado em 1780 pelo cônsul dos Estados Unidos, como residência de verão.

O Parque Terra Nostra é um dos vários lugares IMPERDÍVEIS dos Açores. E como sabe bem guardar o melhor para o fim…

Chegamos não muito antes do fecho da bilheteira. “Depois, saem a que horas quiserem. Abandonam o local através do hotel”. Para mim, chega. Já ouvi o suficiente. Avancemos.

Na verdade, nem tempo tivemos para apreciar as várias fases de avanço dos jardins, com espécies de origem tão diversa como Nova Zelândia, América do Norte, China, África do Sul ou Austrália.

Num par de minutos, estamos mais do que prontos a saltar para a ampla piscina redonda de águas ferrosas. Quentinhas, para o melhor contraste com os pingos que ameaçam cair em força. Sem cumprir com o pior dos cenários.

A cor ferrosa das águas não permite visibilidade de um só centímetro abaixo da superfície. Isso ajuda a compreender muita coisa. Há mais do que um par de calções a ‘marinar’ nas margens da piscina. E sobram rostos felizes, descontraídos…

Há tempo para deleite pessoal e para as habituais brincadeiras de grupo. Para nadar ou simplesmente fazer “pausa” no quotidiano. Este lugar merece uma profunda perceção do privilégio que é cada minuto aqui. No momento e à posteriori.

O Terra Nostra seduz. Enfeitiça. Envolve-nos nas suas múltiplas raízes. Consome-nos o ar. Torna-nos escravos dos seus desejos. E ninguém parece preocupado em libertar-se deste bruxedo…

O famoso cozido das furnas do almoço tinha sido digerido com périplo pelas mesmas e caminhada em torno da bela lagoa. Que redundante maravilha. Confesso que até ‘receio’ explorar as outras ilhas dos Açores, quando me garantem que S. Miguel não é a mais bela das nove.

Abandonamos a luxúria já com a luz a desfalecer… espera-nos uma noite surreal com a qual nos vamos despedir.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelos Aço­res. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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3 comentários a Parque Terra Nostra: Luxúria Atlântica

  1. Cara Maria, muito obrigado pelo interesse no texto, embora esteja em total desacordo com a observação. O comentário de Santos Narciso – agradeço a simpatia da opinião – é bem claro: qualquer dicionário lhe dará vários outros significados para a palavra luxúria. Aproveito para lhe sugerir uma visita relaxada ao Parque Terra Nostra, sem dúvida um dos lugares mais marcantes desta fantástica aventura que tem sido descobrir os Açores.

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  2. Um texto magnífico sobre um dos ex-libris doa Açores. Quanto ao termo luxúria, basta consultar um bom dicionário para saber que para além do significado comum e com carga depreciativa, a palavra luxúria tem também um significado botânico com que se define vegetação de grande viço e beleza. Daí se dizer: vegetação luxuriante.
    Mas o que interessa aqui é a beleza do texto que faz jus ao edílico parque Terra Nostra das Furnas, em São Miguel nos Açores e que merece uma visita.

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  3. Só não percebo a “luxúria”… Não será antes luxuosidade? Ou andarão as plantas e outros habitantes do parque ( e talvez seus visitantes) em preparos menos decorosos ou orgias mais assanhadas?

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