Gorreana, o saboroso primeiro chá da Europa

A Europa não tem tradição de produzir chás. Até a fábrica Gorreana o decidir cultivar, aqui, nos Açores, em 1883. Uma tradição vincadamente oriental – houve chineses na ilha a aprimorar todo o processo – e que tem sido refinada ao longo de cinco gerações familiares. Com maquinaria do século XIX, que continua a cumprir.

O negócio persiste nos seus adocicados contornos familiares e aos fins-de-semana os seus membros vão-se revezando para receber as visitas turísticas. Como se assume, e bem, a Gorreana é um marco incontornável na história, na economia e no turismo do arquipélago dos Açores.

As vastas plantações cercam a secular fábrica onde se produzem o chá preto (variedades Orange Pekoe, Broken Leaf e Pekoe) e verde (Hysson). Atualmente, 33 toneladas por ano que são degustadas na ilha, no Continente, mas também na Europa e, cada vez mais, na América do Norte.

Paralelamente, funciona um pequeno museu onde podemos acompanhar todo o processo. E sobram os interessados, pois não há minuto de sossego, nem no bar. Ou na pequena sala onde é exibido um vídeo sobre o projeto.

Aqui respira-se história e tradição. E temos muito chá com que nos servir. Sem pudor.

Curiosamente, a aposta no chá foi a melhor forma de dar resposta à crise da laranja. Em 1878 a Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense chamou dois técnicos chineses originários de Macau para virem ensinar técnicas de preparação das folhas e fabrico do chá. O saber ancestral passou de geração em geração e assim tem permanecido.

É possível vir aos Açores e não passar na Gorreana? É. Mas não seria a mesma coisa…

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelos Aço­res. No site www.bornfreee.com pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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