Sete Cidades: Esta beleza só pode ser Lenda…

As Sete Cidades – as sublimes lagoas e a simpática povoação, a rondar os 1.000 habitantes – são sobejamente conhecidas. A sua beleza precede-as há muitos anos. Andei pelos cinco continentes, mas, estranhamente, os Açores continuavam apenas no meu imaginário. Era um amor anunciado. Platónico, antes de se tornar físico. Selvagem. Carnal.

O enquadramento paisagístico dificilmente pode ser mais enleante. Uma caldeira de vulcão envolta em autoritárias montanhas que abraçam duas lagoas de cores distintas. Difícil entender este dengoso azul e o verde ao qual a luz solar confere uma dimensão mitológica.

Diz a lenda – na forma mais resumida que consigo contar – que uma bela Princesa adorava a natureza e gostava de passear, sendo que numa das suas explorações conheceu um pastor, filho de gente simples. Encontros diários cedo levaram a juras de amor eterno. Não fosse a Princesa ter já casamento arranjado com Príncipe de reino vizinho…
Do último encontro, autorizado, entre os amantes, sobrou choro. E foram essas abundantes lágrimas que resultaram em duas lagoas, uma azul, como os olhos da Princesa, e outra verde, da cor das ‘vistas’ do pastor. Se os protagonistas não podem ficar juntos, estas lagoas, nascidas das suas lágrimas, ficarão unidas para sempre, jamais se separando.

Não imagino melhor lugar para uma lenda desta beleza. O cenário contemplado desde o defunto hotel Monte Palace não tem rival. Nem a Vista do Rei, logo ali abaixo, para onde seguimos caminho.

Aqui, temos indicações para caminhadas. Vamos torneando a cratera, apenas em busca de um outro ângulo, preferencialmente mais perto. Missão cumprida. Que panorâmica…

Antes de descermos ao povoado, um desvio. Queremos as Lagoas Empadadas. A do Canário, a de Santiago e a Rasa. Esquecemo-nos que, nestas idílicas ilhas, os humores climatéricos nem sempre ajudam à felicidade. O espesso nevoeiro faz com que tenhamos mais olhos do que barriga: ficamo-nos pelos suspiros, pois a visibilidade é nula. Será  mais um motivo para voltar. E sei que não tardarei muito neste desígnio…

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Descendo para as Sete Cidades, a lagoa de Santiago fica a descoberto. Afinal, os deuses não nos viraram completamente as costas…

Já no povoado, percebemos o quanto é bonito o cenário. Também ao nível das serenas águas das lagoas. Estes verdes abraçam-nos até quase nos esmagar, de tão preenchidos que fazem sentir.

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aven­tura pelos Aço­res. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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