“Despe-te que suas”

A idílica e natural Caldeira Velha está lotada de trânsito e optamos por seguir viagem. Queremos voltar, com tempo. E estamos ávidos de galgar quilómetros em busca de surpresas a cada olhar.

Num ápice estamos no lado norte da ilha. A costa é recordada em grandes falésias e os miradouros vão-se sucedendo. Não totalmente de forma aleatória, saímos para Fenais da Ajuda.

O povoado tem uns mil habitantes e cresce em torno da igreja de Nossa Senhora da Ajuda, adjacente a um cemitério singular, para mim: os jazigos, normalmente humildes, não têm as habituais placas informativas de mármore, substituídas por arranjo circular de latão. Que contem a foto identificativa e flores.

À terceira tentativa, lá encontramos o desejado miradouro. Em falésia imponente. A costa continua a apresentar ondulações e não há melhor vista do que esta para contemplar esse design.

Estamos no fim do Mundo, mas um pequeno supermercado providencia-nos as saudosas mulatas (as saborosas bolachas da terra) e saborosas bolacha-chocolate feitas na… Eslováquia.

Quilómetros à frente arriscamos outro miradouro. Com o mais sugestivo dos nomes: “Despe-te que suas”. Será que experimentamos? Será segredo do grupo Bornfreee…

Aventuramo-nos posteriormente em parque perdido e assistimos ao sofrimento da Ana. “Dói” vê-la de chinelos e meias, amparada em descida ingreme e irregular por companheiro e companheira de viagem. Uma dor que se transformaria em animada brincadeira de grupo, que ajuda (esperamos) a esquecer o infortúnio de calçado que deseja ser protagonista no momento errado.

A fome já nos persegue e é na Povoação que confiaremos a voracidade aos sabores locais. Não nos safamos mal. Mesmo ao lado do edifício da autarquia, que fazemos questão de visitar. Não passaremos do hall de entrada e de espreitar as entranhas do pequeno edifício.

A solicita e mais do que simpática rececionista pensa que desejamos mesmo falar com o presidente e ainda tenta uma pequena audiência. Parece que está em reunião. Paciência. Brinda o grupo com simpatia e canetas. E, entusiasmada, convida-nos a voltar ao fim da noite para o “grande espetáculo musical”. Vimos o cartaz. Estamos tentados: Badoxa e a sua banda…

 

 

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua aventura pelos Açores. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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