Finalmente, Mandalay Hill

mand_hillPara uma despedida memorável da inesquecível Birmânia, deixamos Mandalay Hill. Para o pôr-do-sol que não desejamos esquecer. São 1.700 degraus que vão testar a nossa forma.
Nem temos tempo de descansar da longa viagem desde o Lago Inle. Arejamos e metemo-nos a caminho. Vamos fazendo sinal a vários táxis, nenhum para. Estamos em hora de ponta e ameaça ser complicado. Caminhamos seguramente há uma hora e nem sinal de termos sucesso. Até que… subitamente, negoceio o preço e estou dentro de um táxi. Pouco depois, estamos todos. Aguardamos… e somos convidados a sair. Afinal, o veículo vai para outro lado. Porque negoceia ele connosco se vai para lugar oposto??
DSC06042A luz esvai-se e subir os degraus deixa de ser opção. Renegociamos o preço e leva-nos lá acima. Deixamos para trás meia-dúzia de degraus, descalçamo-nos e iniciámos o périplo por este amplo complexo, com vistas de 360.º, em lusco-fusco e a ganhar brilho.
Encurtando caminho, perdemos pequenos templos, lojas e adivinhadores de futuro, em subida de 240 metros que pode ser feita pelos quatro pontos cardiais.
Esta é um dos principais lugares de peregrinação no país. Há abundancia de pagodes e mosteiros. Também a esta hora, sobram os peregrinos e os habitantes locais que apenas desejam um fim de dia especial.
A caminho do topo, o segurança descobre que uma das minhas amigas tem meias. Sim, não pode. Tal como o zeloso funcionário não pode ter reação verbal rude e física a roçar o violento. Quando me apercebo do incidente, a portuguesa mostra os pés feridos. E diz-lhe que não os quer infetar nem conspurcar o lugar. Em vão.
Apresenta-me as suas queixas e, assertivamente, manifesto o meu descontentamento ao segurança. Em circunstância alguma admito má educação e conduta imprópria para com a minha amiga, mesmo que a razão de fundo lhe possa assistir.
20150320_183332A vista justifica outra serenidade. E quando, enfim, saciamos o olhar, descemos. A fome dá sinal e a última ceia não pode demorar. Passaremos uma última vez pelo amplo complexo do palácio real, com uns dois quilómetros em cada lado do quadrado. É cenário belo, confirmo.
Do jantar, a curiosidade de um prato com cogumelos não incluir os respetivos fungos. O funcionário não é convincente na explicação e o “chef” apresta-se a vir à mesa.
“Incluímos os cogumelos no prato quando o frango está caro. Como agora está barato, metemos mais carne e abolimos os cogumelos, que aumentaram o preço”, justifica. Na verdade, mais valia estar calado.
A minha amiga diz-lhe que o que lhe interessa são os cogumelos, não o frango. Sugiro um pratinho com alguns exemplares. Virá, minutos mais tarde, um recipiente típico para base de café cheio de alhos… e um resquício de cogumelos.
As horas esvaem-se e a saudade já começa a apertar…

_

Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela China e Bir­mâ­nia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem

Esta entrada foi publicada em Ásia com os tópicos . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/corrermundo/2015/04/15/finalmente-mandalay-hill/" title="Endereço para Finalmente, Mandalay Hill" rel="bookmark">endereço permamente.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>