Não se estranha e já entranha

Yangon é um mercado ao ar livre. Em todo o lugar, tudo se vende. Muito se compra. Destacam-se roupa e comida. Há frutas exóticas e um sem fim de petiscos, para todos os gostos. Em pequenos recantos, “restaurantes” ao ar livre, em banquinhos minúsculos. Como se fossem de brincar.

O misticismo da média luz, os vapores que turvam o cenário, os odores que estimulam a gula, os sorrisos que proliferam por todo o lado proporcionam um ambiente muito especial, compensando a ausência de beleza estética da cidade.

Os amigáveis birmanenses e a sinfonia de estímulos a todos os sentidos aprisionam-nos num Mundo singular, onde a tal estética se torna apenas algo de aborrecido. Um estranho personagem de desmancha-prazeres. 

Provar OCNI’s (Objetos Comestíveis Não Identificados) é excelente exercício, acompanhado da inevitável negociação. Dizem-me que um birmanês consegue tomar o pequeno-almoço, almoçar e jantar por 1,5 euros. Obviamente, um estrangeiro fica bem longe desses valores. Por três/quatro euros já se consegue refeição interessante.

Amiúde, na rua também se encontram os artistas do “sepak takraw”, que rivalizam com o futebol. É jogado com uma bola (estilo futebol), mas ainda mais pequena do que uma de andebol. Em roda, sempre em movimento, os jogadores improvisam na arte de dar toques sem a deixar cair. Mais do que participar, contento-me a apreciar a técnica. Aplicada ao futebol e Myanmar não deambularia pelos últimos 50 lugares do ranking da FIFA.

Aqui os dragões também dançam. Uma arte milenar que exige engenho. Grande capacidade ginasta, concentração. Jogo de cintura. E capacidade de atuar em equipa. Há um treino numa associação. A cabeça do dragão e o resto está a “nu”. São centenas os que assistem. Também nos prendem 20 minutos de atenção, até a sessão terminar. Sempre no cimo de íngremes estacas, que se me afiguram pouco consistentes. Em saltos constantes. Ufa… cansa, até só de ver.

E já vos falei que Yangon é prolífera em casas de britânico estilo Tudor? O colonialismo tem sempre alguns aspetos positivos e esta herança arquitetonica dá um outro encanto ao país.

O tempo escorre e temos quem nos espere. Um restaurante muito especial, com cicerone portuguesa. Cidadã do Mundo amiga de amiga comum. Está cá a trabalhar há uns três meses. Teremos o seu “olhar” sobre a Birmânia, esta que encanta logo aos primeiros acordes…_
Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela China e Birmânia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

 

 

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