SERENIDADE EM SHUHE

A arquitetura pouco difere da cidade velha de Lijiang, da qual dista apenas uns oito quilómetros.

Shuhe tem mais espaço. É mais arejada e menos turística. O sol em céu azul e os 27° conferem o ambiente ideal de férias, ainda mais quando sei que chove em Portugal. Maria ainda anda às voltas com a roupa. A emprestada não lhe basta. Dou os meus palpites e procuro colorida saia Naxi para oferecer.

Ouso vesti-la e logo deixamos os presentes em alvoroço. Divertida brincadeira deixa a plateia sem saber muito bem o que pensar. Irrelevante. As reações – mais ou menos evidentes – divertem-me. E dão-me fome. Em minutos estamos em esplanada.

Sobre um curso de água. A metros de uma outra esplanada onde uma diva me encanta com a sua voz, acompanhada pelos relaxantes acordes da sua guitarra. A natureza completa a orquestra com o som da água e a brisa que amaina os efeitos do sol no rosto…

Novas surpresas gastronómicas. A beringela continua a maravilhar-nos em improváveis combinações. Apetece, mais uma vez, perder o amor à carteira. Algum ficaáa por ali. É para isso que serve o dinheiro: fazer-nos felizes e aos que amamos.

Deambulamos sem rumo certo. Até que seguimos nova musica. Agora mais animada. Vemos gente a juntar-se. Promete festa. E assim é. Um espetáculo que junta as 25 etnias do Yunnan representadas em danças e trajes muito próprios. Orgulho que os distingue.

Agora o sol esmaga. Investiremos quase uma hora no show que não conseguimos abandonar. Cores garridas. Dança. Ritmo. Caras bonitas. Cativam. A liberdade de dispormos do nosso tempo. Sem tempo. Essa é a melhor forma de desfrutar de Shuhe.

 

QUANDO COMEÇA? JÁ ACABOU

Da primeira vez por estas paragens em 2008, os famosos frescos de Baisha escaparam à minha visita. Não foi propositado, mas não penso repetir o erro. Táxi de Shuhe e em 15 minutos estamos em aldeia rica em significado histórico.

Os frescos de Baisha são sobejamente conhecidos na China. Daí os oito euros cobrados à entrada. As explicações anunciam mais de 200 frescos. Abrem o apetite. Antes de atacarmos o cerne da visita, há uma exposição da etnia Naxi em pavilhão lateral. Coisa pouca. Vamos ao que interessa.

Na verdade, veremos menos de uma dúzia dos ansiados frescos. Com pouca luz. E proibidos de nos aproximarmos. Surreal. E quando percebemos que nada mais há para ver… E que ninguém consegue explicar a contradição…

A saída é por porta lateral. Para bancas de souvenires onde somos avidamente atacados.  A seca de turismo em Baisha percebe-se no desespero da abordagem. Contribuo para atenuar a crise com duas telas Naxi. E três cafés verdadeiramente ranhosos. A três euros cada.

A aldeia tem escolas de tecelagem. E telas deslumbrantes em linha finíssima. Já recebeu visitas ilustres. Presidentes da China e chefes de estado de outros países. Tudo documentado em fotos e notícias. Pena os frescos: naturalmente mal conservados, mal iluminados e a impossibilidade de  chegarmos perto. Podia ter corrido melhor. Valeu, à entrada do complexo, um mural de interessantes símbolos Naxi.

 

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela China e Birmânia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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