JANTAR EM FAMÍLIA

O primeiro jantar em família deu lugar a um segundo. Amiga da amiga da mãe da Jinyu Xie apanha-nos numa das saídas da cidade velha. Conduz quinze minutos e estamos em hotel luxuoso. Na verdade, acreditam que tem comida internacional, que melhor nos satisfaça. Ainda bem que se enganou.

A família é da etnia Naxi. Como várias outras, cedeu o seu lugar na cidade velha. O comércio dá bom dinheiro por m2 e permite um apartamento em condições bem melhores na zona nova. A senhora é professora, o marido ex-militar e o filho jornalista na televisão regional de Lijiang. Pena não se safar no inglês. Houve vários detalhes interessantes que me pareceram perdidos na tradução.

Uma “panela” (hot pot) em permanente lume a gás e vários suculentos pedaços de iaque. Esse belo, possante e peludo animal das zonas altas tibetanas e chinesas, entre outras. Depois, é buffet com peças que vamos afundar na água fervilhante, com algum tempero. Vários tipos de saborosos cogumelos, diversos legumes, algas, tofu, massas… 

Dumplings e outras iguarias que não fixei permitem longo, faustoso e  mais do que delicioso jantar. Até a pastéis de nata, em esforçada receita local, tivemos direito. Mais uma experiência. Nesta altura, já são dezenas as iguarias experimentadas, já que a curiosidade nos tem mimado em demasia.  Jinyu Xie tem sido exímia nas sugestões.

Dizem que os Naxi são muito inteligentes. E que muitos têm profissões das mais nobres. E têm língua e religião próprias. Quando falaram a sua língua, nem a nossa fiel amiga tradutora lá chegou. O jantar já estava pago. E ainda levamos saco cheio de bolos, especialidade da pastelaria da senhora. Começam a ser muitos os casos de extrema simpatia chinesa..

LIJIANG ROCKS

Nada mudou desde 2008. A cidade continua com um ritmo noturno apreciável. Os chineses não são tímidos a beber. E isso ajuda na ‘libertação da expressão física’, com efeitos visíveis na pista de dança. Uma delícia para qualquer bom observador. Tomar um copo e apreciar o ambiente pode ser exercício memorável. Sobra simpatia e espírito festivo.

Os bares e discotecas sucedem-se e competem entre si nos neons e decibéis. Karaoke também disponível. E música ao vivo. Há soluções para todos os gostos. Qualidade e singularidade. Tentam cativar-nos em cada bar e discoteca. Não será na zona mais ativa e dinâmica que nos apanharão. Será num bar a média luz com música ao vivo em que os executantes vão alternando, tal como o tipo de música.

Ao nosso lado, três casais. Um deles com um filho de uns cinco anos. Deixam-no fazer todo o tipo de asneiras e travessuras. Até que esbofeteia o pai com  respeitável violência. Acabou-se a festa. Para o miúdo, que há várias horas devia estar a dormir.

O baterista abandona o palco improvisado. Serve umas bebidas. Detém-se em mesa feminina. Umas 10 jovens em histérica êxtase. Entusiasma-se com os gritinhos e sobe para a mesa. Toca viola. Afasta copos com os pés e berra de tal forma que quase se sobrepõe aos colegas que estão a atuar.

Muita gente nos cumprimenta e sorri. Perguntam-nos de onde somos. Uma particularidade: cada mesa vazia tem 10 cervejas (não as bebem frias, claro) e no fim é só fazer as contas às que sobram na hora de pagar. Com a tentação já na mesa, beber sem controlo é muito mais fácil…

RITUAIS ESCOLARES

Cruzamos a pé a bela cidade velha de Lijiang rumo à ‘gémea’ Shuhe quando somos surpreendidos por centenas de crianças e pré-adolescentes rumo a recreio exterior. Em frente à escola há um descampado. E é lá que toda a ação decorre.

À frente, os meninos de lenço vermelho, sinal que integram o quadro de mérito. Vinte minutos de exercício perturbado pela nossa maravilhada presença.  Impossível controlar a máquina fotográfica, mesmo que evitando o descaramento. Os exercícios têm habitualmente um rigor quase militar. Hoje não será assim. Mea (nossa) culpa. Mas é por um bom motivo…

Os sorrisos multiplicam-se, tal como os acenos. Talvez seja isso o que torna o tom dos professores mais ríspido. Pelo menos a sonoridade não aparenta muita simpatia. Os miúdos não querem saber. Estão naturalmente curiosos. E muitos algo entusiasmados com a nossa presença e interesse. Faço pequeno vídeo no seu regresso coletivo apressado à escola e poucos são os que ignoram a câmara ou nada dizem. Não encontro melhor forma de começar o dia que promete ser animado…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela China e Birmânia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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