Nova SHUANG LANG

Está do outro lado do lago Erhai. Bem mais turística do que imaginava, esta aldeia histórica. Zero ocidentais. Apenas inúmeros chineses. Como em outros lugares, o circo do comércio parece convencer mais do que os belíssimos edifícios históricos. O carro tem de ficar a alguma distância do burburinho. Não há estacionamento, caminharemos com a vista sobranceira sobre o lago.

Começamos com vendedores de tudo. Há espetadas de peixe e de camarão que cativam o odor. E omeletes de marisco ainda com casca. Há grupos étnicos de mulheres a preparar comida. Como que uma linha de montagem industrial ao ar livre. Saciar o apetite nunca é problema, na China. E com apreciável qualidade.

Há o som de instrumento de sopro junto a entrada para templo. Dá-lhe misticismo. Que desaba quando o espaço está apinhado de homens a jogar. Cartas e majong. A única mulher, que lhes serve bebidas e tabaco de intenso odor, apenas se preocupa com a máquina de fotografar. Incomodo-a cada vez que disparo. E não gosta de sentir outras fêmeas por perto…

Afinal, o, almoço não pode esperar. O calor torna esplanada sob frondosas árvores o lugar mais apetecido da cidade. E há uma mesa a chamar por nós. Teremos camarão frito com legumes, com casca para comer também, há frango com batatas e legumes. E um misto de vegetais. Uma sopa de tamanho industrial em que se destacam grandes pedaços de tofu a dançar entre mais legumes. Arroz e o inevitável chá verde. Queremos o melhor do Mundo. Tudo testemunhado por enorme borboleta de linhas “desportivas” e cores majestosas. Ciranda à nossa volta como que presa a um feitiço.

Vencemos a preguiça e inércia e voltamos ao caminho. A porta de entrada da cidade velha adensa  a presença de edifícios históricos. E comércio mais… Qualificado. Artesanato. Jóias. Decoração.

Há barcos para uma ilha mais seletiva. Saem junto a uma pequena ‘riviera’, com música ao vivo. As ‘selfies’ mais do que bem enraizadas na China. Observar o fenómeno chega a ser interessante passatempo…

 

PERSONALIZAÇAO CAPITALISTA/CONSUMISTA

Quem ainda imagina uma China basicamente retrógrada e comunista, precisa pôr cá os pés para ver como avança um feroz capitalismo. Sustentado em consumismo desenfreado. Estragou? Não, conserta. Compra novo. A filosofia é essa. Afinal, os recursos do planeta são ilimitados…

Os carros de luxo começam a fazer-se notar, o parque automóvel rejuvenesce-se e até já chegou a americanice de pagar bom dinheiro por matrícula personalizada.  Smartphones? Os mais recentes modelos sempreem voga. Osmais idosos, em plenas zonas rurais, já não são imunes a este vírus tecnológico.

O sentido  deste post? As fantásticas motos personalizadas,  com criativas pinturas. Por todo o lado. Todos diferentes. Todos iguais.

 

Convite Mágico

Entrem, venham experimentar“, desafiou um vulto, mal percetível. Estamos na rua dos Estrangeiros, onde a confusão humana já se esbateu. Está muito escuro. Apenas uma luz difusa na insólita cabana. Um cubículo para o máximo de seis pessoas. À primeira vista, a prudência aconselha a declinar o convite. O ambiente parece pouco claro. Mas a vida é feira de imprevistos e nada como abraçar o inesperado. Não hesitamos. Sentamo-nos. Não cabe mais ninguém.

É uma tenda improvisada mas definitiva, garante-nos o dono. “Quando chove bastante, paciência“, sorri. Basicamente, vende chá. Da terra. Mas só muito tarde o saberemos, e porque perguntamos, para comprar… Não vai atrás dos clientes. Espera que estes o descubram. A todos, sem excepção,  oferece chá. Quando entramos,  somos brindados com vários tipos dessa preciosidade da natureza.

A tradução de Jinyu Xie ajuda sobremaneira no diálogo e compreensão mútuos. A lua vai cheia e o ambiente é cada vez mais intimista. A conversa desagua naturalmente em vários temas. Cantamos em português. Ouvimos o mesmo em mandarim. E, entretanto, vamos aprendendo a saborear o chá com mais profundidades e conhecimento.

Temos luz difusa, lume e brasas para o chá. O odor deste fogo devolve-me à infância. Avós na aldeia. Ausência de luz elétrica. Grande lareira. Conversas em família alargada arrastando-se pela noite dentro. Cara a cara, em torno do fogo que nos une. Saceio esta saudade a cada golo. A cada sorriso. Em todo o esgar de entusiasmo dos nossos humildes anfitriões. Têm alma infinita. O momento é puro. Genuíno. Será recordado como um dos mais especiais em viagem. E não foram assim tão poucos em perto de 100 nações cruzadas…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela China e Birmânia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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