A minha mota é uma Cabrinha

A Cabrinha de Bali

A minha moto balinesa tem por nome “Cabrinha”

Trânsito 1
Os condutores indonésios não têm nem a gentileza dos tailandeses, nem o frenesim dos indianos. A estrada faz-se, mas de uma forma algo tensa. Conduz-se à esquerda, excepto os que conduzem à direita e nos aparecem de frente naquele corredorzinho das motas entre um passeio ou berma e os carros. Como ninguém facilita ninguém, os parques, as lojas, hotéis têm uns tipos que aparecem na estrada com apito e mandam parar os carros para alguém se fazer à estrada. À noite empunham um sabre de luz qual cavaleiro Jedi para serem vistos e não ouvidos.

Trânsito 2
As minhas motas têm sempre uma atracção fatal por buracos e a Cabrinha não é excepção. Eu vejo um buraco na estrada, penso em desviar-me, faço por me desviar, mas, no momento decisivo, pimba. Antes isso que uma atracção por frentes de carro.

Trânsito 3
O caminho para Ubud está pejado de vendedores de experiências ou talvez se transformem em vendedores à passagem dum motociclista ocidental.
Eu, um condutor inseguro, preocupado com os buracos, pedras, areia na estrada, direcções, gajos que aparecem em contramão ou simplesmente se atiram à estrada, cavaleiros Jedi, ainda tenho de me preocupar com vendedores de experiências. Alguém começa a conduzir mesmo ao nosso lado e pergunta: “Vais para Ubud?” Sim. “Então segue-me!”  Eu, um condutor inseguro, preocupado com os buracos, pedras, areia na estrada, direcções, gajos que aparecem em contramão ou se atiram à estrada, cavaleiros Jedi , ainda tenho de dissuadir uma data de gajos que querem que vá para casa deles, que vá comprar o café comido e evacuado por aquela espécie de ginetes, comprar pedras, madeiras, massagens, restaurantes, jóias, etc.
E não adianta uma pessoa fazer que não vê porque, então, acrescenta à lista das preocupações o ter um gajo a fazer gincana à nossa frente.

Polícia
A senhora que me alugou a mota logo me explicou que, se a polícia me mandasse parar, deveria ter umas 50.000 rupias à mão para dar ao polícia, em vez da exorbitância que ele me ia pedir (quase 20 euros). Se ele quisesse mais, devia dizer que não tinha mais. Em caso do insistência, ameaçar tirar fotos ao polícia e, em último caso, largar a mota. Hoje fui ao aeroporto comprar passagem para Borobudur e, no regresso, lá larguei os 20 euros (por não ter carta internacional). Mas tenho recibo.
É um bocado como a multa de conduzir sem capacete na Tailândia, que é válida para o dia todo. Desde que se exiba a multa diária, não se apanham mais pela mesma infracção. Supostamente esta multa é válida para a duração do aluguer da cabrinha. Em troca de notas com o australiano da escola, ele afirma que os papéis são mandados imprimir em inglês pelos próprios polícias e variam de preço. O lindo papelinho azul que eu tenho, e onde a única coisa que entendo é o meu nome, até pode estar a dizer: “Já comi vinte euros a este.” For all I know.

Travellers tales 

Um australiano com prancha de surf na mota à procura da onda perfeita é o alvo preferencial dos polícias. Até já tentaram multar um num milhão de rupias.

Aqueles senhores que apitam constantemente, não apitam por um condutor inseguro ir sem capacete, por ir em contra-mão, por levar o pisca indevidamente ligado, por fazer ultrapassagens ou manobras perigosas, nem por qualquer azelhice em geral. São táxis, mini-autocarros sem indicação ou “transportadores” privados a tentar angariar clientes no passeio e que lhes chamam a atenção com o apito.

Negociação
Tinha pensado em ir de mota para o aeroporto [de Denpasar], mas quando cheguei à famosa bomba de gasolina ao pé do Mc Donald’s, que corresponde à ideia que um ocidental tem de bomba de gasolina, não estava ninguém para atender. Procurei um táxi , larguei a Cabrinha perto duma praça de táxis e perguntei o preço. O preço que pediu foi 150k. Eu tinha pago 220k na chegada. Aceitei, arrumei a bagagem no porta-bagagem e arrancámos. O motorista perguntou quanto é que eu pagava de táxi. Perguntei  o que é que queria dizer. Tinha começado o segundo round de negociação do preço da viagem. 200 k dizia ele, 150 e nem mais uma rupia, dizia eu, 170 k, eu aceito 170 k, dizia o generoso. Pára já o taxi. OK, 150 k. Seguimos viagem.

Cabrinhas há muitas!

Cabrinhas há muitas!

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Fer­nando San­tos passa um mês em Bali, Indo­né­sia, entre um curso de mas­sa­gem e mui­tos pas­seios. E relata aqui as suas impressões

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