Deambular pelos mercados

O almoço é em esplanada num primeiro andar. Estamos ao nível das casas, já que, invariavelmente, os pisos térreos albergam algum negócio. A vista é diferente. Temos crianças que se metem connosco. Deliram com as fotos que lhes tiramos. Vemos para o interior de algumas habitações. Não há espaço ao luxo.

Estamos em zona de negócios turísticos. A “agressividade” dos vendedores no contacto é, em tudo, diferente do mercado que exploraremos após o almoço. Neste caso, vende-se legumes e outros bens de consumo que turista não costuma procurar. Diferença completa. Ninguém nos interpela a tentar vender o que quer que seja.

É aqui que vemos rostos mais “autênticos”. Os sorrisos mais puros. Há mesmo quem pose para a fotografia. E liberte o melhor da sua alma quando vê o resultado. Com inocência e ingenuidade que, por vezes, até nos deixam incrédulos.

Estou apenas com as Isabéis (o resto do grupo procura o museu da mumificação) e há um jovem que nos tenta convencer a dar uma volta pela cidade na sua carruagem, puxada por esbelto cavalo branco. Declinamos, mas ele acompanha-nos no mercado. “Estudo línguas e gosto quando tenho a oportunidade de as praticar”, justifica. Na verdade, são várias as línguas nas quais se consegue expressar. Passa o teste.

Inicialmente, cordial. Depois um inusitado exagero de simpatia. E olhares que não consegue disfarçar para a máquina fotográfica da Moura. Há uma altura que nos indica que a central de camionagem que procuro fica no fim de determinada rua, sem movimento. Minutos antes, garantira-nos que era na direção oposta. Percebemos que não estará com a melhor das intenções. Mudamos o tom. Percebe. Vai embora. Ainda tenta “voltar” um pouco mais à frente, mas não terá abertura nossa para isso.

Seguidamente, a Moura tira retrato a uma idosa. Que fica encantada e não a larga mais. Uma avozinha com o mais querido e cândido dos ares. Andará atrelada à Moura até sairmos do mercado.

Visitamos uma igreja católica. Poucos, os fiéis. Está protegida por muros altos. Basicamente, alguns estrangeiros é que lhe dão maior uso.

Seguiremos pela marginal do Nilo. Há famílias em picnic em alguns relvados. Há cruzeiros em excesso ancorados. Em grupos de quatro, lado a lado. Isto não acontecia noutros tempos…

O Templo de Luxor pode ser visto de fora. O muro é baixo. A noite já se apoderou da cidade e a iluminação confere-lhe um tentador ar místico. Apreciamos e seguiremos para o hotel para reunir o grupo. Hoje, jantaremos juntos pela última vez.

As Isabéis e a Marília voltam mais cedo a Portugal. Não têm férias suficientes para cumprir o programa completo. É a refeição que ninguém deseja, mas o moral continua em alta. Nada o pode destruir…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pelo Egito
. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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