Cairo Copta

A Isabel Moura tomou o gosto ao desafio de escrita em viagem e ficou com a responsabilidade do ‘Cairo copta’ no bornfreee.com. Um registo diferente. Mais informativo que emotivo.

Após ter folheado o indispensável guia do Egito, algo me interpelou na descrição do bairro copta do Cairo….”Ponte fascinante entre as civilizações faraónica e islâmica do Egito”…

Diz-se ainda que o bairro abriga algumas das mais antigas igrejas cristãs do mundo… Como cristã, e curiosa  por descobrir como vive esta minoria num país muçulmano, sabia que tinha que lá ir… o cristianismo começou a desenvolver-se no Egito, quando São Marcos chegou a Alexandria e conseguiu converter uma parte substancial da população a partir das crenças pagãs.

À medida que as comunidades cristãs foram crescendo, foram submetidas a sucessivas perseguições por parte dos romanos, sob ordem do imperador Diocleciano, por volta de 300 DC. Mais tarde, a Igreja Copta separa-se da igreja dos romanos e bizantinos. Nos primeiros anos de domínio árabe, os coptas foram autorizados a construir várias igrejas dentro da área da antiga fortaleza do Velho Cairo. Fomos espreitar… Assim, desde a estação de metro Mar Girgis (que significa São Jorge) deparámo-nos imediatamente com um outro Cairo…o cristão. Estranha-se… Um oásis de silêncio no ensurdecedor barulho do Cairo… Bairro antigo, calmo e aprumado, sem lixo nas ruas… convidativo. Tivemos a excelente companhia, orientação e explicação de um guia. Valeu o simbólico investimento. Dois euros a cada um dos seis. O ’tour’ tem forçosamente que acabar antes das 12h00… hora de uma das cinco orações diárias, à qual o nosso guia nunca falha.

A volta pelo bairro começou imediatamente pela igreja de S. Jorge…sentimo-nos em casa…do turbilhão islâmico da véspera, teletransportámo-nos para uma possível Europa católica…Igreja Ortodoxa grega com S. Jorge por patrono. Visitámos o cemitério grego adjacente à igreja.
Atravessando-o, chegámos à Igreja de São Sérgio- Abu Sarga – um exemplo perfeito de igrejas e mosteiros Coptas, datando do Século V. Historiadores e teólogos afirmam que a Sagrada Família visitou esta área durante a fuga para o Egito, e que a cripta desta igreja lhe serviu de abrigo, esconderijo. Pequeno espaço, simples, desprovido de ostentação, mas cheio de significado para os católicos. Imaginar-se no refúgio da Sagrada Família…carga emocional… Quando contar isto à minha mãe…

Por umas simbólicas libras egípcias, ainda levo água benta deste lugar sagrado… Outro ponto alto foi a visita à Igreja Suspensa, cujo nome árabe é Al Muallaqa. “Suspensa” porque construída sobre as ruínas de duas torres da fortaleza antiga romana “Babilónia”. O interior é deslumbrante. Apesar de escuro, todo ele revestido de cedro, com um teto de madeira em arco, fazendo lembrar a arca de Noé, em sentido invertido… cada pormenor ou detalhe tem a sua explicação, cujo guia desvenda tal um romance de suspense e nos deixa silenciosos e boquiabertos…

Terminaremos a visita do bairro com a Igreja de Sta. Bárbara, dentro do mesmo estilo, mas bem mais pequena…
Hora de abandonar o bairro antigo para regressar ao Cairo vibrante… é desta que conseguimos apanhar um dos mais emblemáticos meios de transporte da cidade…motoboy/moto-táxi, please!!
Moto com 3 lugares para passageiros, habilmente conduzida por um jovem egípcio com direito a música aos berros… perfeito! Direção: cidadela please!!

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pelo Egito
. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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