Kuznetsky Most… e até um dia!‏

O teatro Bolshoi – digo, o Imperial Bolshoi Theatre of Moscow – teima em estar fechado e não há forma de o visitar. É a segunda vez que o rodeio por completo, a pé, e nem uma frincha aberta. Não há uma porta. Uma bilheteira. Nada de nada que permita entrar e apreciar algo do seu intimo, já que o seu porte exterior é magnífico. Frustrante.

Os bilhetes para uma ópera ou ballet têm um custo “exigente” para uma bolsa como a minha, mas não é todos os dias que temos a oportunidade de contemplar o suprassumo de uma destas nobres artes. Fico-me pela grandiosidade da sua arquitetura. Pela sua imponência na paisagem urbana. Pela imaginação de momentos e ambiente de sonho no seu âmago. Um dia. Sei que um dia também colocarei um “visto” neste desejo. Tem sido assim com os outros…

Moscovo está a descobrir as virtudes das esplanadas e ruas pedonais. Aos poucos, os políticos vão cedendo às exigências do turismo que, neste caso, tem igualmente muito de interno. O país é vastíssimo e os endinheirados destas paragens galgam terreno a ritmo invulgar. Os carros vão, timidamente, perdendo terreno. E a cidade ganha. Todos ganhamos.

A Kuznetsky Most fica a menos de cinco minutos do teatro Bolshoi. E nada como voltar onde temos sido felizes. Não é só pela variedade dos seus restaurantes – da primeira vez, saciei a saudade da comida da Geórgia e depois foi delírio italiano -, mas, acima de tudo, pela atmosfera que torna tao especial esta concorrida pedonal.

Este é espaço aberto também a artistas de rua. Confesso que jamais esperei ouvir The Prodigy tocado em violino, violoncelo e bateria. Três jovens ousam com inovação que soa muito, muitoooo bem.

Esplanada e bebida ao pôr-do-sol. Uma transição pacífica para noite despreocupada. Conversa flui ao ritmo das moscovitas que teimam em impor a sua exuberante figura.

Subitamente, há mais música. E uma multidão que se junta. Ritmo irresistível. Frenético. Salto do lugar e corro para me juntar. Improvisa-se “flash mob”. Dezenas a cantar e dançar. Depois, um mimico a entreter e arrancar sentidas gargalhadas. Largas dezenas saboreiam o momento, participando, até, ativamente. Um outro lado que os russos parecem renitentes em mostrar, no seu ambiente natural. Salto da esplanada e vou curtir. Os minutos parecem efémeros, ainda assim dos melhores que consigo partilhar na Rússia. Este país precisa mais disto…  de se soltar.

Garantir lugar em esplanada não é fácil. Ainda assim, vale a tentativa. Ou a espera, se for caso disso. Estou, mais uma vez, com sorte. A 30 metros do copo do relaxado fim de tarde, novamente lugar privilegiado. Embora tenha de repetir o Gusto. Nessun problema. O chef voltou a ser generoso na surpresa dos sabores…

Confirmo, novamente, a dificuldade dos russos em expressar-se em inglês. Verifico – como se fosse preciso… – que estas donzelas parecem ter nascido, todas, para bailarinas. Seja pelo aspeto físico, seja pela postura corporal. E que boa parte dos homens locais parece desmerecedora da dádiva dos genes femininos russos.

Um último passeio pela Praça Vermelha… É, efetivamente, magnífica.

A escala de regresso a Portugal é em Genebra. Bill Sorridente está feliz. Quer celebrar a Amizade e convida-me para uma das suas regulares extravagâncias. E petiscos favoritos: champagne e ostras.

Companheiro, mais uma aventura de descobertas em surpreendente sintonia. Brindemos à Amizade! E à América do Sul em janeiro…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela Rússia
. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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