Metro de Moscovo: sublime arte de prazer popular‏

Está a fazer 80 anos. Começou com 11 quilómetrosem linha única de 13 estações, mas já tem mais de 300 e perto de 200 paragens. Transporta mais de nove milhões por dia, mas não é por isso que o metro de Moscovo se destaca: são os seus projetos de arquitetura extravagante. Nos tempos da União Soviética, sob a liderança de Joseph Stalin, aposta de propaganda em várias construções luxuosas, verdadeiros “palácios para o povo”. O líder exigiu obra radiosa, brilhante. Que pusesse os moscovitas a olhar para cima. Admirar a arte como se olhassem para o sol. E, por extensão, para ele (as suas múltiplas referências em forma de arte), qual Deus.

Paredes de mármore reflexiva, tetos altos e grandes lustres. Sob o solo, haverá algo mais… soalheiro?

Relevos. Frisos. Estátuas em bronze. Vitrais. Mosaicos em vidro. Mármore e granito. Personagens históricas e os seus feitos. Guerra, agricultura, indústria, desporto… Cidadãos comuns como trabalhadores, soldados, agricultores ou estudantes. Tudo retratado em verdadeiras obras-primas que nos fazem usufruir uma estação de metro como o museu que é.

Com a morte de Stalin, em 1953, lentamente foram sendo retiradas várias referências ao seu culto. Mosaicos, trabalhos em estuque, colunas… tudo passou a ser “injustificado”. O quilómetro de obra passou a prevalecer em detrimento da arquitetura. Vale-nos o facto da grandiosa obra das primeiras estações ter sido preservada.

Ficar simplesmente imóvel e observar o buliço dos moscovitas é já estímulo suficiente. Faze-lo em lugar que nos arrebata e nos faz ajoelhar perante a genialidade, um privilégio.

Komsomolskaya. Uma das minhas favoritas. Abriu em 1935 com imponentes motivos barrocos, painéis em mosaico em esmalte e pedras preciosas. Representam a luta russa pela liberdade e independência ao longo da história. Serve três das estações ferroviárias da capital.

Novoslobodskaya. Os seus 32 vitrais de proeminentes artistas da Letónia. Iluminados por dentro, envolto em mármore rosado dos montes Urais. E o mosaico de Pavel Korin, “Paz em todo o Mundo”.

Mayakovskaya. Uma das mais belas de toda a rede. Baseada num futuro sonhado pelo poeta Maiakovski. Com mármores de diversas cores e 34 mosaicos no teto criados pelo artista Alexander Deyneka que retrataram “24 horas de céu soviético”. Localizado 33 metros abaixo do solo, foi usado como abrigo de raides aéreos na II Guerra Mundial. Foi aqui que em 1941 Joseph Stalin dirigiu assembleia popular com líderes do partido e representantes das massas.

Prospekt Mira, Kievskaya, Shosse Entuziastov, Ploshchad Revolyutsii, Nakhimovsky Prospekt, Victory Park ou Elektrozavodskaya são algumas das muitas estações que merecem um cuidado roteiro. Impensável ir a Moscovo e não desenhar um itinerário envolvendo algumas das mais proeminentes estações de metro. Já se fazem visitas organizadas, mas… é mesmo preciso darmo-nos a esse papel?

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela Rússia
. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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