Casanova Inn

cSe há projetos de que vale a pena falar, o Casanova Inn é, certamente, um deles. Confesso que foi algo complicado encontrá-lo. Chegamos boas horas após o combinado. É tarde e já não há gente nas ruas. Para complicar, não temos como contactar os empreendedores. Com a sorte que sempre protege os audazes – e, neste caso, os desprevenidos/surpreendidos pela estrada caótica – chegaremos.

O mentor do projeto já nos espera. Num par de minutos instala-nos e faz-nos sentir em casa. Não nos deixa sair para comer. Mesmo sem cozinheiro, que já tinha saído, atira-se à cozinha e surpreende-nos com um conjunto de boa e rápida comida. Mais do que a necessária para confortar o estomago que viu o jantar passar-lhe ao lado.

O fiel vinho ajuda-nos a serenar. Sorver mentalmente a fantástica, embora penosa jornada que vivemos neste dia. Para mim, tudo foi perfeito. Das extremas dificuldades ao doce epílogo.

Se a noite termina bem, a manhã principia ainda melhor. A vista é fantástica e nem o nevoeiro a dissipa. O pequeno-almoço, no alpendre, é de reis. O melhor entre os vários excelentes que tivemos. O que temos na mesa é mais do que suficiente, mas o nosso amigo insiste em trazer comida. Tudo tao bom e saboroso que tardamos em conseguir travar o seu ímpeto. Até as batatas cozidas (com pele e ervas) sabem pela vida. Salivo só de pensar nos distintos queijos, doces caseiros, pão divinal, fruta pronta a comer, sumo, chás… e tanta, tanta coisa.

Na verdade, não apetece fazer mais nada. O cenário ao nível do olhar e o que temos na mesa impedem-nos de sair à hora prevista. Sentimo-nos como se fosse a última refeição dos nossos dias. Sendo o caso, poderíamos partir felizes. Em paz.

O nosso anfitrião insiste em mostrar-me toda a casa. Na verdade, apenas tinha contemplado um terço de todo o complexo. “Prometi à família dedicar um ano da minha vida a levantar este projeto. Tem corrido muito bem. Tem havido excelente recetividade” diz-me o cirurgião a caminho dos 40 anos. De uma cordialidade e elegância no trato que cria imediata empatia.

Dizem que Dilijan é a Suíça da Arménia. O Casanova Inn é, sem dúvida, dos seus lugares mais aprazíveis. O produto final torna-o uma “obrigação” para quem anda a explorar a região. Potencia o Amor? Isso agora…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela
Geórgia, Arménia e Nagorno Karabakh. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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