NORAVANK

Na Geórgia sobram possibilidades para correr mal. Aqui, tudo parece diferente. A esse nível, a Arménia é bem mais civilizada. A polícia aperta bem mais com os condutores e estes portam-se dentro do civilizacionalmente correto.

Alugamos um jipe. Melhor, um Chevrolet Niva. Na verdade, um jipezinho. Que foi dando para as encomendas. Apenas “morria” serenamente nas subidas mais exigentes. Sair de Yerevan é um pequeno filme, mas Sílvia, a primeira condutora, está mais do que à altura. Decidida como poucas mulheres, faz o que é preciso nas situações mais apertadas.

O mosteiro de Novarank é o nosso primeiro objetivo. São 120 quilómetros para sul. Esta relíquia do século XIII já foi importante centro religioso e cultural. Apesar se ter sido erigido em lugar ermo e distante de tudo. 

Em Vosketap, nem a meio do percurso, viramos à esquerda e enfrentamos a montanha. Belas e imponentes paisagens. Paramos uma vez para ajudar uma carcaça em apuros. O nosso interlocutor não fala em inglês e não chegamos lá por gestos. E, confesso, a situação deixa-nos algumas dúvidas. Horas depois, o mesmo Lada em novo pedido de auxílio. Esquema?

Já estamos perto. Chegamos à melhor parte. Vamos esgueirar-nos por desfiladeiro com altas paredes cor de tijolo. Algo entre o abraçar-nos e o esmagar-nos. É lugar privilegiado para observação de aves. Entendemos e vimos porquê.

Há um restaurante encravado na rocha. Como que um ninho em tamanho gigante. Temos comido durante a viagem. A fome ainda não aperta. Talvez comamos no regresso. Talvez. Avançamos para o nosso objetivo.

Seguimos o curso de água. E vamos subindo a montanha. Subitamente, ei-lo. Orgulhoso. Altivo. Como que o centro deste Mundo recôndito. O único sinal de civilização em demasiados quilómetros.

Confesso que o cenário é mais interessante do que o recheio de mais uma magnífica obra religiosa na Arménia. O contexto de Noravank é que lhe dá todo o ser. A importância e a vontade de cá vir. Sem dúvida, uma jornada que vale a pena.

Há dois edifícios autónomos. Um, tem íngreme, estreita e desprotegida escala exterior. Subimo-la. Vistas peculiares.

Procuro novos ângulos fotográficos para o complexo. A vegetação é rasteira. O José Luís queixa-se de uma cobra. Ela terá feito o mesmo e afasta-se à velocidade da luz. Nós demoramo-nos um pouco mais. Saboreamos a visita antes de voltar à estrada. A ruralidade arménia começa em beleza.

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela
Geórgia, Arménia e Nagorno Karabakh. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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