Trilho infernal rumo ao…. paraíso

O clima não ajuda. Estamos num éden montanhoso e a chuva aparece em abundância mais do que a desejada. Acontece aos melhores. Neste caso, nada nos travará da demanda de percorrer a nossa Via Dolorosa para atingir o céu. Na mais do que desejada Ushguli.

Contrato 4×4 e motorista logo à saída do Villa Mestia. Partimos com o dia fresco. São 46 quilómetros percorridos a velocidade tenebrosamente lenta. Só ao fim de quatro deliciosas e acidentadas horas chegamos. Por ásperos trilhos ladeados por aveludados verdes.

A estrada que apenas abre parte do ano – quando estas terras altas são dominadas pela neve, há pouco a fazer – está em obras em vários pontos. E muitos mais há a remendar/construir.

O nosso motorista é de poucas palavras. Não fala inglês. Quando o assunto é importante, liga à irmã, diz o que quer e passa-me o telemóvel à tradutora pessoal.
Com soberbas montanhas a fazer peito aos envolventes vales, vamos trilhando o nosso caminho. Sobram picos nevados. Com mais de 4.000 metros. Temos muito gado bovino, demasiado magro. “Precisam estar magras para poderem trepar montes, subir encostas”, justificam-me, mais tarde.

Um bulldozer corta a estrada. Tira toneladas de terra, enquanto ocupa toda a via. Motorista aproveita para mais um cigarro.

Vão desfilando casas semidestruídas. Em pedra. Como poemas esboçados no melhor papiro…cruzamos ribeiros. Fortes cursos de água invadem a via. A montanha jorra água por inúmeros ‘veios’ que a cicatrizam.

A estrada é insuportável. Vamos acariciando, lentamente, as formas da montanha. Aparecem as primeiras torres que tornaram Ushguli Património Mundial da UNESCO.  lama toma conta de tudo quando, subitamente, Ushguli surge nas nossas vidas. É a aldeia permanentemente habitada mais alta da Europa. 2.400 metros. E é, em si, um filme épico…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela
Geórgia, Arménia e Nagorno Karabakh. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

 

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