Descobrir Tbilisi..

Uma campa concorrida. Homens e mulheres devotos. Velinhas e beijos na pedra. Flores. “Era um padre muito querido”, esclarece jovem ortodoxo. Que nos surpreende: “no dia dos mortos, é costume as pessoas trazerem mesa e fazerem piquenique na companhia do ente querido. É um dia de celebração”. Soa-me a estranho e ainda mais invulgar pelo facto da igreja ser a rígida ortodoxa russa. Os rostos são demasiado severos, mesmo em ambiente inesperadamente informal. Sobra tristeza nos olhares. Também apostariaem resignação. Os mais velhos passaram por demasiado. E parece que já não há esperança nos seus gestos.

“Muita gente se confessa.  Atualmente, ate são os mais novos a incentivar pais e avós”, interrompe o nosso interlocutor. Abandono os meus pensamentos e tomo a iniciativa de entrar. Prontamente seguido. Num ápice, somos despreocupadas figuras centrais. Relaxados, mas respeitadores. Observamos e somos analisados. Por olhares austeros. Aprendemos. Seguimos caminho.

Em poucos passos começámos a encarar edifícios… Monumentais. Arquitetura entre o imponente clássico e o opressor russo. A megalomania viria mais tarde. Cruzamos o rio Mtkvari e entramos na avenida Rustaveli, a principal artéria de Tbilisi, a Princesa do Cáucaso.

Um pequeno mercado de humildes comerciantes vende pechinchas.  Pena pouca coisa ser interessante. Fica a promessa de levar um chapéu típico de Svaneti, das maiores expectativas que tenho nesta viagem.

Sucedem-se lojas de souvenirs, alternadas com outras de luxo, galerias de arte e novos projetos de cafés/bares. Do lado oposto, imponentes megalomanias. Belezas dignas representantes de um passado opressor. O edifício da ópera tem charme singular.

Tbilisi tem vários projetos arquitectónicos difíceis de… Classificar. Enquanto analisados por si só, depende do gosto. Quando enquadrados no cenário onde foram “plantados”, tudo parece bem mais discutível. Este ‘novo-riquismo’ podia ter outra harmonia. Mas presumo que a ideia nunca foi essa. Toca a impressionar. Seja bem… Ou nem por isso.

A praça da Liberdade marca a entrada para uma ‘outra’ cidade. Entraremos na parte antiga, onde tudo tem outro encanto. A alma e os olhinhos agradecem.

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pela
Geórgia, Arménia e Nagorno Karabakh. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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