Até onde vais com 5 euros? Dia 7: Um caso real…

Ajuda de amigosJá a acordar? Ainda há pouco nos deitámos…

Tanta preguiça, parece que dormimos apenas uma hora, mas já é meio-dia e hoje temos compromissos. Toca a levantar, banhinho e andamento que se faz tarde.

Depois de uma boa Cerelac, vamos por Coimbra para conhecermos a República dos Galifões, fundada em 1947 como uma república masculina. Nos anos 80, sofreu um incêndio (pensa-se que foi incendiada) e, restaurada, pela Associação dos Antigos Alunos, reabria em 1996 com 12 quartos e, agora, mista.

Existem os caloiros, comensais que apenas fazem refeições e os galifões que são sócios efectivos da república.

Nesta republica apenas têm um horário a cumprir: 20h, hora do jantar, onde estão todos reunidos. É também feito um jantar, “o centenário”, que é o aniversário da república, centenário porque 1 ano a viver numa república é como viver 100 anos, explica um galifão.

É assim que nos despedimos de Coimbra e vamos em direcção a Aveiro ter com o Brito, nosso amigo e principal apoiante. Em menos de 24 horas de lançarmos o projecto já tínhamos as camisolas garantidas.

Na viagem para Aveiro e só com uma Cerelac no estômago, eram quase três da tarde, a fome já massacrava.

Leitão, o reiMealhada, a terra dos leitões, a água na boca aumenta e parámos num estacionamento do Rei dos Leitões – se é rei é de certo o melhor. A Patrícia e o Tiago têm de apelido Leitão, tentando a sorte da família, chegamos ao restaurante de luxo. O sr. Pedro Rodrigues recebe-nos com grande amabilidade e o sim é instantâneo. A sua esposa surpreende-nos, já nos conhecia e quando viu uma das nossas reportagens afirmou para com ela com bastante determinação: “Eles vão passar no Rei dos Leitões”. Mais uma vez a força do destino: estávamos lá.

Fomos tratados que nem reis e rainha, o carinho é frequente em todas as paragens, é tão gratificante recebermos esta imagem tão positiva, estamos radiantes com todos e connosco próprios.

Chegamos a Aveiro e o nosso querido amigo Brito recebe-nos na empresa. Fazemos algumas fotografias com os produtos da Dimensão do Pensamento, onde as gargalhadas não param.

Temos trabalho em atraso, a crónica ainda não foi lançada, os computadores não têm bateria, temos de ir a um café. Depois de um não, a porta da pastelaria Os Aveirenses está aberta e entramos confiantes. Falamos com a proprietária e logo diz o sim. Quatro mini croissants foi o que provámos, pois é o produto típico da pastelaria. Trabalhamos um bocado, arrumamos mesas e cadeiras, vamos ao lixo e despedimo-nos.

Mais um adeus e consequentemente um olá. Na Praça do Peixe estacionamos e conhecemos o arrumador de carros. Bruno Fernandes, 30 anos, foi obrigado a ir para as ruas depois de trabalhar numa empresa de artigos sanitários. À espera de cursos financiados no centro de emprego e de ajudas na segurança social, vive num apartamento abandonado com a ordem do dono e toma banho numa instituição, onde também o alimentam. Está nisto há um ano. Apelámos assim a que alguém o ajude de alguma forma. Nos também o fizemos, demos-lhe um saco de laranjas que a amiga Carolina nos tinha oferecido. Ajudamos de alguma maneira.

Andamos pelas ruas da Praça do Peixe e os “não” desesperam-nos, juntamente com a fome. Restaurante Neptuno: depois de andarmos algum tempo à chuva é ele que nos oferece um caldo verde para aconchegar o estômago.

Poço de Santiago (Sever do Vouga)A viagem prossegue e pensamos nós em ir dormir a Lamego e amanhã fazer o Douro. Viagens à noite, as luzes dão-lhe cor. Subimos para Sever do Vouga e mudamos os planos. No mapa, Lamego fica mais longe que Cinfães, Patrícia tem “família emprestada” lá. Já é tarde e o caminho não ajuda a viagens. Nevoeiro, chuva, serras, vamos dormir a Cinfães. Depois de caminhos assustadores, saímos de um “filme de terror” e chegamos a “casa”.

Ana, Xana e o pequeno Santiago, que faz um aninho amanhã, estão à nossa espera. Com leitinho quente assim nos deitamos são e salvos.

_______________________________________________________________________________
“Até onde vais com 5 euros?” É a per­gunta de um grupo de cinco estu­dan­tes entre os 19 e os 24 anos, da Escola Supe­rior de Ges­tão de Idanha-a-Nova, que andam à des­co­berta de Por­tu­gal numa car­ri­nha. Orça­mento: cinco euros cada um. Con­tam com a soli­da­ri­e­dade e estão pre­pa­ra­dos para tra­ba­lhar em troca. Pode saber mais sobre a aven­tura na Fugas, segui-los neste blo­gue ou no Face­book ofi­cial.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>