Até onde vais com 5 euros?: Dia 1, Km 0

“Até onde vais com 5 euros?” É a pergunta de um grupo de cinco estudantes entre os 19 e os 24 anos, da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova, que andam à descoberta de Portugal numa carrinha. Orçamento: cinco euros cada um, que “a falta de dinheiro não é impedimento para conhecer” o país. Contam com a solidariedade e estão preparados para trabalhar em troca mas fazem finca-pé num ponto: não aceitam dinheiro.  Os cinco são: André Oliveira, Alexandre Alverca, Artur Conde, Patrícia Félix e Tiago Leitão. São bloggers convidados da Fugas e contam aqui a sua viagem. A aventura (explicada aqui na Fugas) resumida pode ser seguida neste blogue e com mais pormenores no Facebook oficial. O dia 1 refere-se a 14 de Fevereiro.

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 Dia 1 – Km 0

A viagem quase começa, saímos do exame de contabilidade e estávamos mais nervosos do que quando entrámos. A viagem estava a umas horas de começar.

Partimos em direcção a Mação onde estaria o povo maçaense à nossa espera para nos oferecer a viagem rumo a Lisboa. Antes de chegarmos a Mação, parámos numa estação de serviço de Vila Velha de Rodão onde conhecemos Mateus Dias, funcionário da estação. Confidenciou-nos que também é aventureiro, percorreu várias vezes Portugal à boleia, sem dinheiro absolutamente nenhum, apoiando-se em repúblicas universitárias, por exemplo, e até tinha técnicas para apanhar boleia, nomeadamente, vestir roupa mais apresentável, bem como estar sentado, pois é bastante alto e poderia “assustar” as pessoas… Mais uma lição, mais um apoio e mais uma prova de que o nosso projecto irá ser concretizado.

Com as expectativas cada vez mais altas, chegámos a Mação. Tirar malas, pôr malas, arrumar tudo da melhor maneira e aí vamos nós rumo à capital. Lisboa será a próxima paragem.

Finalmente, a nossa aventura começa: são 18 horas e estamos fechados na carrinha já com fome, pois o almoço já vai longe e foi um tanto ou quanto precário. Agora sim, só com 5 euros no bolso, pois deixámos os nosso cartões multibanco na empresa que nos cedeu a carrinha, West Coast Campers.

E agora? É  a pergunta mais frequente a partir deste momento.

Andamos uns metros e um cheirinho a pão mantém-nos alerta. A Padaria Portuguesa: é lá que vamos tentar a nossa sorte para podermos comer qualquer coisa. Por olhares desconfiados, lá perguntamos pelo gerente, 5 segundos depois aparece, apresentamos o projecto e em 5 minutos estamos com o primeiro brilho nos olhos, pois levamos o nosso primeiro sim e estamos a comer o típico pão de deus e a beber um café. Saímos radiantes: a nossa aventura começou da melhor maneira.

Estamos em Lisboa, queremos fugir às grandes massas, aos grandes centros urbanos, mas não podemos fugir ao nosso grande fado, o típico português, património imaterial da Humanidade. Vamos à Graça, passamos na Igreja da Sé, Igreja de São Vicente de Fora, estacionamos a nossa carrinha e vamos até Alfama. Batemos à porta do Boteco da Fá, um cantinho tipicamente português. Apresentamos o nosso projecto e estamos sentados para jantar uma massada de tamboril. E não faltam pataniscas de bacalhau ou o arroz doce de cor amarelada, como mandam as receitas tradicionais. Um ambiente acolhedor com chouriça assada e caldo verde onde as fotografias são prova do nosso grande património, o FADO. Por todo este acolhimento, trocamos os nossos serviços, trabalhamos na copa, servimos às mesas e, o mais importante, tivemos mais uma prova de que querer e poder e ser é muito mais importante que o ter.

Por entre fados, decidimos ir “bairrar” pelas quelhas de Alfama. Um letreiro chama-nos à atenção: “ginja”. Um lugar pequeno, capacidade para 12 lugares sentados, um cheirinho a orégãos das tostas XXL características, entrámos no Agapimu e conhecemos Latislav, há 3 anos em Portugal, oriundo do Leste da Europa. Por entre palavras rápidas e com alguma dificuldade inicial em perceber, lá conseguimos expor o nosso projecto. Com um ar introvertido, soltando alguns sorrisos, ofereceu-nos a dita ginja.

Conversa puxa conversa, subir ruas e descer ruas, o fado é uma constante. Entrámos no Belaruque. Com algum receio e cepticismo no ar, damo-nos a conhecer às duas senhoras atrás do balcão, a proprietária do bar e a sua colaboradora. Uma conversa um pouco traduzida, visto que Maya, a proprietária, vem da Bósnia e o seu português ainda está em evolução. Depois de nos oferecerem bebidas e de o “gelo se quebrar” coisas surpreendentes acontecem. Maya, cantora profissional, conheceu o fado há 5 anos por coincidência, passando do pop-rock para o nosso fado. Levando-o a todos os países dos Balcãs, mudou-se para Portugal há um ano e em Agosto criou este espaço acolhedor onde canta em português com aquele sotaque próprio que a distingue em qualquer lugar e a caracteriza. Teve o prazer de actuar ao lado de Mariza, Nuno e Ricardo Martins.

E onde está o cepticismo agora? E o receio??? Foi quebrado totalmente e conseguimos soltar sorrisos e apoios.

Um saco com comida. Uma nova amiga, movida pelo nosso projecto, veio ao nosso encontro para nos oferecer a sua ajuda, levando mantimentos. Temos massa, atum, salsichas e bolachas. Estamos extremamente gratos com esta atitude visto que nos conhecemos pelo projecto mas agora com sentimentos marcados.

Está na hora de voltar para o Boteco da Fá, já está a ficar tarde, o dia vai longo e precisamos de descansar. À meia-luz, com o cantinho de vidas apresentamos o nosso projecto a todos os presentes. Recebemos palmas, elogios, forças para continuar cada vez mais longe. E assim nos despedimos do místico Boteco, de todos os seus colaboradores, clientes e de todos por hoje.

“Vamos descansar a Azeitão” parece-nos bem. Carrinha trancada e amanhã o sol vai aparecer.

Até já.

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A viagem pode também ser acompanhada no Facebook oficial

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