Sydney 2 anos depois

Regressar a Sydney foi algo que não esperava fazer pelo menos apenas 2 anos depois de lá ter estado. Há algo em mim que me faz sentir um estranho em Sydney. Uma cidade que amo e onde tanto fui feliz como também tive algum tempo para soltar algumas lágrimas.

29h depois finalmente aterro em Sydney. Tenho alguém à minha espera, e fiz todos os possíveis para me fazer sentir um backpacker novamente. Troquei a mala com “rocinhas” que uso sempre em situações destas em que viajo para trabalho pela minha mochila antiga, e troquei os sapatos por umas sapatilhas mais confortáveis.

Sinto-me cansado. A minha visão periférica é reduzida, o meu estômago faz barulhos estranhos, e sinto que nada daquilo é real. Questiono-me vezes e vezes sem conta sobre o que é ou não real. Cada vez mais me custa viajar. Não quero regressar, não tenho nada para que regressar.
As viagens tornam-se diferentes com o tempo. Cada vez visito menos coisas, e cada vez mais me limito a passear um pouco tal como o faria em casa. A minha casa agora é um quarto de hotel, ou uma pensão que lá em casa na Bélgica alguém reservou para mim.

Mesmo com o meu corpo a atingir limites que nunca pensei atingir antes, decidi rumar ao centro da cidade, já que me encontrava a cerca de 40m de comboio de lá. Sydney continua Sydney. As mesmas pessoas pedem dinheiro nos mesmos locais, a ópera continua cheia de turistas que a fotografam sem sequer a visitar. No entanto falta a Sydney o que fez Sydney para mim. Falta Catherine.

Acabo por visitar os mesmo locais que visitámos juntos há 2 anos atrás. Os locais parecem agora vazios, quase sem significado, e sem sentido. São apenas memórias que se agitam com aquele vento forte que se sente todos os dias naquela cidade.

Percebo por fim que o que faz uma cidade não é o que a preenche mas sim o que nos preenche. Sydney é Catherine. Buenos Aires é Monica Ekenstam. Brugge é Sarah. Gent é Elke.

Claro que podem dizer que as minhas cidades têm nomes de mulheres, mas lá está o que é uma cidade se não uma mulher por quem nos apaixonamos e amamos.

Uma cidade por quem sofremos e que nos faz sofrer. Que nos faz sorrir, chorar, dizer adeus e por quem gritamos bem alto até o dia em que viajamos por fim para uma outra cidade que iremos amar.

Um comentário a Sydney 2 anos depois

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