AL… CAPONE

Há figuras que o cinema cria. E os mitos que retrata. Alphonse Capone é um deles. O implacável gangster que foi pesadelo de muitos nas décadas de 20 e 30, jaz agora, em paz (??), com outros sete membros familiares, no cemitério Mount Carmel, nos arredores de Chicago. “Scarface” (apelido “intimo”, devido a cicatriz no rosto) espalhou o terror pelos Estados Unidos e isso granjeou-lhe fama mundial.

Repousa junto de muitos milhares de outros italianos, num cemitério com vasta coleção de respeitáveis e proeminentes foras da lei. No registo dos “famosos”, as figuras religiosas proeminentes, todas de origem anglo-saxónica, ficam claramente a perder, pois são apenas seis.

O crime organizado “controla” agora o cemitério, com mais de 225.000 defuntos: além de Al Capone, podemos encontrar os bons rapazes “Machine Gun” Jack McGurn, Frank Nitti, Vincent Drucci, Sam Giancana, os irmãos Genna (Sam, Vincenzo, Pete, “Bloody” Angelo, Antonio e Mike “The Devil), António Lombardo, Dean O’Banion, Frank Rio, Roger Touhy, Earl “Hymie” Weiss… BATTISTA. Tudo boa gente…

Filho de barbeiro e costureira que emigraram de Itália em 1894, Capone foi expulso da escola aos 14 anos por agredir um professor. Meses depois, em Manhattan, juntava-se ao grupo de Frank Yale. Mais tarde, mudou-se com a família para Chicago, para ser o braço direito do mentor de Yale, John Torrio. Alvejado o líder, tomou conta dos negócios e expandindo-os a outras cidades. Com a sua visão e determinação, rapidamente avançou dos negócios.

Com um quarto de século revelava-se um ser humano frio, violento. Sem escrúpulos. Em 1929 eleito para o “homem do ano” a par de… Albert Einstein e Mahatma Gandhi.

Controlava informadores, locais de apostas, casas de jogo, bordeis e clubes noturnos, destilarias e cervejarias. E o contrabando. Chegou a faturar 75 milhões de euros por ano, durante a lei seca. Foi dos que mais a desrespeitaram.

Bon vivant, foi igualmente um exemplo de promiscuidade, o que lhe valeu contrair a sífilis. Em 1931, foi condenado a 11 anos de prisão por fuga aos impostos. Oito anos depois, a pena foi revista em virtude do seu debilitado estado de saúde: sífilis e sinais de distúrbios mentais que o levaram definitivamente para Mount Carmel em 1947.

Num país em que tudo é explorado turisticamente até à exaustão, estranho um certo alheamento a uma das figuras mais emblemáticas da terra. Mesmo que por poucos religiosos motivos.

Não encontramos muitas referências a Al Capone. Mas há um tour guiado aos “intocáveis”, em carrinha preta em estilo antigo que retrata os veículos da altura. Uma forma distinta de conhecer a história que, sem dúvida, marcou Chicago.

Surpreendentemente sem testemunhas, pudemos usufruir do lugar. Após uns 10 minutos a solo, duas outras viaturas aproximaram-se. Alternadamente. A imponência e cor da nossa viatura – preta – e o à vontade com que socializávamos com Scarface, tê-los-á afugentado em menos de dois minutos. Contados.

Três moedas jazem na pedra tumular de Al Capone. Pedido de boa sorte? Fortuna? Irónico pagamento de dívida? Deixamo-las, também, em paz.

Carla vai a caminho dos seis meses de gravidez. Continua em “negociações” com Marcos pelo nome do rebento masculino. Visitamos o “padrinho” com o intuito de lhe pedir ajuda. Em vão. Ainda não se decidiram…

Depois Nova Iorque, Pensilvânia, Ohio e Ilinóis, é altura de subir ao Wisconsin, implorando para que os eternos campos de milho deem lugar a mais estimulantes paisagens.

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pelo Canadá e EUA. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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