CLEVELAND

Um pouco mais de um par de horas para explorar a pé. É tudo o que temos, depois de na véspera termos visitado a cidade, confortavelmente instalados sobre quatro rodas.

Poucas metrópoles tiveram uma vida de extremos como Cleveland: em pouco mais de 200 anos, apresentou-se como próspera cidade de manufaturação – o vasto lago Erie a seus pés, o longo rio Mississipi e engenhosos canais tratavam de possível comércio através do Oceano Atlântico, bem como do golfo do México – que chegou a ter perto de um milhão de habitantes, sendo a quinta maior do país. Hoje rondam os 400.000 e ocupa um saudavelmente modesto 45.º posto.

O magnata John D. Rockefeller iniciou aqui a sua fortuna, criando em 1870 a Standard Oil. Quinze anos depois, mudou a sede para Nova Iorque.

Após a Grande Depressão e a II Guerra Mundial, Cleveland foi a primeira cidade americana a entrar em falência. Estávamos em 1978, anos depois de um grande incêndio ter mudado a sua face. Lamentava-se um nível de desemprego (chegou a atingir 13,8%) superior à média nacional. Eram tempos difíceis – a todos os níveis, incluindo desportivamente – e os Media nacionais catalogavam a cidade como “The Mistake on the Lake”.

Visão estratégica de futuro consubstanciada em política municipal arrojada, apostando na revitalização da malha urbana e na cultura, transformou Cleveland na “Comeback city”. Hoje é considerada das melhores para viver nos Estados Unidos, bem como lugar preferencial para negócios.

O “Rock & Roll Hall of Fame” é um dos ex-líbris da cidade, inserido na tal política de lhe dar visibilidade. Deambulamos pelas artérias centrais e perdemo-nos em animado concerto de música country. Dois supostos casais, de meia-idade, animam o jardim que vai ganhando adeptos. Na verdade, trabalhadores que gozam a hora de almoço e, como é hábito, trazem a merenda para parques públicos e aí a saboreiam. Em bancos ou na relva. Com ou sem gravata.

Visitamos simples, mas vaidosa igreja presbiteriana, com notáveis trabalhos interiores em madeira. E uns vitrais de sonho, como único ornamento. “Temos uma comunidade de 570 pessoas”, diz-nos o orgulhoso “guia”. Nunca imaginamos que tal edifício – tamanho, “soberba” e localização – pudesse pertencer a grupo religioso tão diminuto na cidade.

Mais do que a celebração religiosa, que não pode ser muito regular, face a tão parcos seguidores, promove encontros de jogadores anónimos, controladores de peso, yoga e conselhos de gestão caseira.

Cleveland tem, igualmente, um dos mausoléus mais conhecidos de homenagem aos que pereceram na Guerra Civil americana. Fotos, estátuas em bronze e os nomes dos heróis que pereceram em nome de um sonho maior.

Serenamos em parque público, apreciamos as vistas e voltamos à estrada. Esperam-nos 600 quilómetros e nos Estados Unidos conduzir a mais de 110 km/hora pode ser um bom sarilho.

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pelo Canadá e EUA. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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