ANDY & “FLYING” FRIENDS

Longas jornadas e os locais mais remotos que nos aguardam exigem mobilidade que os transportes públicos, por muito bons que sejam, não asseguram. Viatura alugada. Agradecemos simpático upgrade e partimos confortável e espaçosamente instalados.

Marcos e Carla, casal amigo de longa data, e do mais criativo e easygoing que há (ainda não esqueci o seu memorável casamento) completa o trio que fará junto o resto da viagem. E o “bebecas” também, embora só nasça lá para dezembro. Nada como o estímulo de viajar em equipa improvável…

Não nos safamos da usual espera na fronteira. Eu já tenho autorização para três meses nos Estados Unidos e eles tiraram o “ESTA”, que supostamente lhes dá prioridade e celeridade. Nada disso. Eu paguei seis dólares, sem trabalho. Eles, 14 cada um, e preenchendo um formulário na internet. Concordamos que o ESTA só é “obrigatório” em aeroportos. Por terra, melhor aparecer. Simplesmente, aparecer e tratar do assunto apenas ali.

Estamos no estado de Nova Iorque e dirigimo-nos ao Ohio. Andrew espera-nos, a uns 15 quilómetros de Cleveland. É o nosso primeiro couchsurfer nesta jornada.

Aproveitando as virtudes do GPS, chegamos à hora combinada. É um bairro calmo. E a rua não tem saída. Deparamo-nos com uma via larga, uma vintena de casas de centenário estilo com tapete de bem tratada relva até cada uma delas.

O braço que levantado nas traseiras da casa é o aceno de Andy. Espera-nos. Com três colegas de trabalho. Todos pilotos de avião. “Um convívio fora do trabalho”, explica-nos.

Viagens é a nossa religião e conviver com quarteto experimentado nos ares dos Estados Unidos soa a programa bem estimulante.

Cada um traz comida para partilhar. Sentamo-nos em torno da fogueira e ali ficamos. A noite está excelente. O céu rasgado regularmente por aviões. “O aeroporto fica a dois minutos de carro”, informa.

O jovem de 30 anos comprou o palacete que nos alberga porque pensa estabelecer-se “uns anos” em Cleveland. “Há muitos pilotos que sonham com companhias aéreas nacionais e internacionais. Não é o meu caso. Normalmente, faço cinco/seis voos por dia. ADORO. São pequenos aviões de 10-20 lugares. É fantástica a sensação de levantar e pousar consecutivamente. E de só na véspera saber o que me espera”.

Andy é apaixonado pelo seu trabalho e os seus colegas e amigos secundam-no. Erika (tem avião privado e, regularmente, voa sem destino) e Cortney estão a combinar ir para o Alaska dias depois. Seria voluntário a juntar-me, mas creio que estão mais entusiasmadas com a ideia de virem a Portugal. Onde Andy esteve em 2007: “Um mês fantástico que fez com que o vosso país seja o meu favorito, logo a seguir ao meu, claro”.

A noite arrasta-se, tal como a conversa. O couchsurfing tem este mágico poder de unir desconhecidos em torno de felicidades comuns. E de reforçar e exponenciar o altruísmo e bondade que há em nós.

A casa tem três andares. Erika, que fica surpresa com 16 sms seguidas do namorado, também fica para dormir. Ocupamos quatro quartos, mas presumo que ainda haveria espaço para mais convidados.

O pequeno-almoço arrasta-se indefinidamente, pois a conversa com Andy é tão estimulante que as várias tentativas para a interromper se revelam infrutíferas.

Finalmente, foto de família e abalamos…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem pelo Canadá e EUA. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

 

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