O dia em que o mochileiro dentro de mim morreu

Não quero parecer trágico nem pouco mais ou menos. A verdade é que sinto que o mochileiro cá dentro morreu há não muito tempo atrás. Sinto que esse mochileiro que um dia viajava pelo mundo, que partia à aventura, desapareceu numa amálgama de metal que é Hong Kong.

Vim para esta cidade com o desejo de viajar um pouco depois de uns dias de trabalho. No entanto vejo-me agora um pouco preso dentro de uma cidade que pouco mais é do que uma cidade. Centros comerciais, lojas, coisas e mais coisas que me enchem a cabeça com tanto que não consigo respirar.

Hong Kong cheira a Ásia. É como que algo que se entranha em mim feito de memórias que me enchem o corpo. Cheira a Sarah, cheira a ti Elke que viajas agora dentro de mim.

No entanto estou numa cidade estéril, fria sem cheiros que entram cá dentro que penetram na pele. Este é um local construído, desconstruído. Este é um país longe da Ásia como já disse antes. Todos se concentram à volta de telemóveis e outros dispositivos electrónicos. No hostel onde me encontro agora ninguém diz uma única palavra. Não compreendo este modo de viajar. Malas com rodas, roupa demasiado limpa, computadores de 15 polegadas.

Não há janelas onde estou. Existem apenas paredes e mais paredes entre as pessoas que aqui existem. Na rua não vejo sequer o céu. Vejo prédios e coisas feitas de metal que crescem como coisas numa selva. Sinto-me como que num filme de ficção cientifica. Daqueles feitos em Hollywood, sem cheiros, fumos ou paredes verdadeiras. Aqui não há paredes de cartão ou senhoras para servir água ou sumos caso necessitemos. Aqui há calor, há uma dor de cabeça que não me quer deixar e há a tua imagem dentro de mim. Aqui longe vês tudo isto comigo. Partilhas o que não sabes que partilho contigo.

Aqui nesta selva de gente e metal sinto-me como que um viajante que já não se lembra de o ser.

2 comentários a O dia em que o mochileiro dentro de mim morreu

  1. Olá Filipe,tanta nostalgia e incertezas! Aonde está essa força do mochileiro, me habitou a dar coragem, para partir deste Portugal…um pouco insuportável, e sem graça nem que se queira pensar futuro para os nossos jovens!!! Ainda hoje tenho uns primos arquitectos, vão aventura até São Paulo! Dizem será o futuro!!! mas algo me diz não vai ser assim!! Quanto à Sarah, não deixe para trás… para não ter se penalizar depois por muito tempo está bem!!! Então nossa Cidade de Coimbra, passou a património da Unesco!Espero e desejo próximas noticias esteja bem menos nostálgico está bem???

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