Indesejada despedida…

A extrema boa disposição do astro-rei apenas vai dificultar a partida. E de que maneira… Mais do que rendido a Corfu e às suas gentes. A Vasiliki e seus amigos. A arquiteturas que me preenchem. Mais do que nunca, não apetece regressar. Meter-me num avião é habitual prazer, hoje indesejada sarcástica em tortura. Sinto os minutos esvair-se sem que os consiga deter.

Pela primeira vez nesta jornada, um giro para uma ou outra compra. Na verdade, tornou-se um périplo por novas deliciosas ruelas sem um verdadeiro intuito de adquirir o que quer que seja. Era um simples pretexto.

Vasiliki, como sempre, faz-nos companhia. Deambulamos de um lado para outro. Já foi avisada pelo relógio de que a sua aula de dança começou. Sente, igualmente, dificuldade neste anunciado desprendimento. Revela-se culpada por não me levar ao aeroporto, a escassos quilómetros. Faço-a notar o ridículo da sua preocupação.

Surpreendentemente, não há autocarros regulares para o aeroporto. Táxi será a única opção. A grega muda ainda mais as feições. Algo a corrói por dentro e isso declara-se de forma mais clara na forma como insiste no carro…

Está na hora da despedida que ninguém deseja. Parcas palavras de circunstância. Desnecessárias. De todo. Sai um abraço. Que não desprende. Experimento seu impercetível soluçar e afastamo-nos. Ambos turvos por lágrimas que prometem jorrar abundantemente caso não nos afastemos de imediato. “Até já. Espero-te em setembro…”. 

Enquanto me afasto, prometendo não olhar para trás, um rápido filme destes dias, na mais fantástica experiência couchsurfer que tive nas minhas viagens. Vasiliki é o tipo de pessoa que todos queremos na vida. Irreverente, criativa, super amigável, prestável, cuidadosa, empenhada em fazer da minha (nossa) estada a melhor possível. E como o conseguiu…

Foram horas de entusiasmante conversa. Viagens, comida, crise dos nossos países, objetivos de vida. Abriu-me a sua vida social, desabafou sobre a íntima. Deslumbrado como leveza e profundidade dançam harmoniosamente no seu estimulante dia a dia. Em como supera todos os obstáculos. E como jamais se queixa ou resigna. Fantástica atitude perante a vida.

Deixar Vasiliki foi tormento. Não quero pensar na separação de Anna…

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Rui Bar­bosa Batista relata no blo­gue Cor­rer Mundo a sua via­gem por Itá­lia, Mace­dó­nia, Kosovo, Albâ­nia e Gré­cia. No site www.bornfreee.com  pode ace­der a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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