Dumaguete

Foi à última, a saborear mais um encantador pôr-do-sol no sereno mar, já no confuso terminal de ferry de Tagbilaran, que decidimos ficar-nos por Dumaguete, a cidade referência da ilha de Negros. Siquijor é pouco turístico e chegar ao final da noite (após forçosa escala em Dumaguete) e sem estadia reservada poderia ser desnecessária dor de cabeça.

Confiando em palavra de voluntária americana, que fez a travessia connosco, deixamo-nos guiar até ao Harolds Mansion, o hostel que mais “bombava” na cidade de 120 mil habitantes, um quarto dos quais estudantes universitários.

O ensino superior mexe completamente com Dumaguete – aqui foi estabelecida a primeira universidade privada americana em solo asiático – e dá-lhe uma vida invejável em boa parte das mais de 7.100 ilhas das Filipinas.

Nestas paragens, as coisas positivas ganham aos pontos, mas, por vezes, a linha que as separa do horrível parece demasiado ténue. Os americanismos vincados deitam muito a perder e fazem-nos questionar se é possível amar a cidade.

O McDonalds é um bom exemplo do pior: prepara abertura de um novo espaço… a 200 metros do outro que já tem a funcionar. E isto porque, a essa curta distancia, tem três concorrentes juntos. E não os quer deixar sós.

Algazarra sem parar. Balões, panfletos, anúncios intermináveis de promoções e uma banda a tocar. De manhã à noite.

Do lado oposto, concorrente também faz a festa de recente inauguração. Aposta em música. E malabaristas do fogo. Capta mais curiosos, mas o resultado não se traduzirá em vitória. Apenas em ensurdecedor barulho e agitada confusão na concorrida rua. Transito entupido.

E, infelizmente, demasiada gente deleitada com esta guerra comercial entre duas cadeias de fast food.

A marginal é poética ao entardecer, mas durante as horas de sol não permite fazer praia nas cálidas águas. Não tem areia. E a que aparece com a baixa mar não tem cor atrativa.

A pedonal tem vida intensa. A qualquer hora. Preferível o fim de tarde. Sentarmo-nos numa das múltiplas esplanadas com banquinhos minúsculos – quase nos sentamos no chão – a provar petiscos de peixe e lula. Com cervejinha bem fresquinha, que somos obrigados a comprar num bar, pois aqui é proibido vender álcool. Não há  turistas a estragar a tela.

No decrépito mercado, come-se por menos de um euro. Não muito bem, mas com direito a karaoke entre as pobres barracas que se amontoam.

Estamos com sorte. No Harolds Mansion presenteiam os hóspedes com ostras. Muitassssss e saborosassssss!! Apenas às sextas-feiras e no bar “on the roof”. Aproveitamos. A voz temível da excitada namorada do proprietário em estranhas músicas de karaoke convida-nos a sair mal terminamos de saborear a “gentileza”.

Muitos escolhem Dumaguete como base para mergulho (um “tirinho” até à paradisíaca Apo Island) e para ver golfinhos e baleias. O nosso interesse aqui estava focado na montanha…

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Rui Barbosa Batista relata no blogue Correr Mundo a sua viagem pela Ásia ao longo de Novembro/Dezembro. No site www.bornfreee.com  pode aceder a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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