Perfect day

Quando o grande e saboroso peixinho é colocado na nossa mesa, convicção profunda de que o dia poderia acabar logo ali. E tudo seria perfeito. Não terminou. Felizmente.

Horas antes, na azáfama de umas vinte embarcações que se moviam em bando, a nossa amiga chinesa deu o alerta. Excitado grito feminino. Seguiu-se um “oooohhhhhh” em coro e surpreendentes palmas dos asiáticos ocupantes de um barco bem maior. Cinco ou seis golfinhos. Ali ao lado. Exibindo a sua beleza. Deixando um rastro de elegância.

Êxtase efémera. Desaparecem…

O dia avança suavemente. Às 06:00, já estávamos preparados para o alto mar. Pequena embarcação. Eu, Carlos e Fernanda acompanhados de simpático e comunicativo casal chines. 30 minutos a deslizar por tranquilas águas. Até que chegamos ao local de encontro.

Vistos os golfinhos, hora das cerejas. Do bolo. Do fogo de artifício. De tudo!! Um snorkling de três horas. Milhares de coloridos peixes. De todas as formas e feitios.

Os corais desaparecem subitamente e uma brecha que leva às profundezas. É nessa fronteira que boa parte deles vagueia. Como um refinado corpo de bailado. Ou vários. De diferentes mundos.

Afastamo-nos uns 100 metros de um grupo de uns 20 tao entusiasmados quanto nós. Até que, inesperadamente, nos perguntam se tínhamos visto uma tartaruga do mar. Num ápice, aquela beleza surge ao nosso olhar, entretanto devolvido à profundeza das águas. Quem nos alertou ficou, entretanto, para trás. Apenas Fernanda me acompanha em suaves braçadas sobre esta musa.

Mais tarde, sem testemunhas, nova tartaruga sob mim. Locomovida por apenas três membros. Aproxima-se. Parece vir à tona. Quase lhe toco. Tiro a mascara. Afinal não vem. Mergulho novamente. Demasiado tarde. Já se foi…

Encomendamos almoço sob palmeiras. Para dali a uma hora. Passeio pela pequena ilha. Aldeia serena. Escola. Crianças. E muitos animais. Sobretudo, galos de combate. Nas Filipinas, cada povoação tem a sua arena. E poucos são os que não assistem e não apostam.

Vemos também cabras. Galinhas, patos. Porcos. Cães e gatos.

Finalmente, à mesa. Mar a cinco metros. Palmeiras dão-nos sombra. Turistas foram-se… restamos nós. O peixe grelhado para três dava para seis. Aplicamo-nos suave, mas ferozmente. Missão cumprida. Ahhhh…

O vento que nos amplifica o sorriso enquanto navegamos para a ilha virgem traz notícias de plenitude. As águas vão dançando entre o azul, turquesa e diversos verdes…

Atracamos em pequena língua de areia branca no momento em que os últimos partem. Significa que vamos estar sós. Novamente.

Imagens de deleite. Cenários de éden. Perfeição de braço dado com simplicidade e serenidade. Azuis, verdes e beijes. Espessos. Aveludados.

Lentamente, arbustos singulares em outra língua de areia começam a ser engolidos pela preguiçosa subida da maré. Apetece ganhar raízes naquele lugar.

O regresso a Alona Beach vai demorar 45 minutos. Com ventos contra a complicar a jornada, criando ondas que chegam a assustar. De supetão, afundamos quase até às profundezas. Num ápice, levantamo-nos aos céus. Já não há um centímetro de roupa seco. Nem calmante para peito aos pulos. Entretanto, o mestre modera a ousadia. Prudência conduz o resto do trajeto.

A praia de Alona é só nossa. As tranquilas águas vêm-nos curtir como se fossemos os últimos naquele paraíso. O sol desmaia em tons quentes. Apetece perpetuar o momento.

Saborosas lulas recheadas grelhadas, suculenta espetada de vegetais e batata doce são empurradas com fresca cerveja local. Horas depois.

Marginal de 200 metros com cor e animação noturna. Varias esplanadas. Musica ao vivo em algumas delas. Caminhada sem tempo pelo areal. O mar vai brincando com o reflexo do luar…

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Rui Barbosa Batista relata no blogue Correr Mundo a sua viagem pela Ásia ao longo de Novembro/Dezembro. No site www.bornfreee.com  pode aceder a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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