Dream Yangshuo

A paisagem que merece homenagem nas notas de 20 Yuan é apenas um levantar de véu para o que a zona de Yangshuo tem para mostrar.

As montanhosas formações cársicas que acompanham o  Rio Li (e toda a região), os campos salpicados de rurais aldeias, as gentes… uma combinação única que o Ocidente começa a descobrir. Em 2008 prometi voltar. Feliz por ser fiel à palavra.

Sobre Yangshuo, falarei mais tarde.

A chuviscar, encontramos a cidade quase deserta. Atravessamos a rua central e definimos estadia perto do rio. Do nosso quinto e último andar, vista para os montes e o Li.

Por pouco mais de um euro, bicicleta para explorar arredores. Sobram atrações em torno de Yangshuo. Grutas, banhos de lama, aldeias históricas, árvores encantadas…

Pedalamos por essas e várias outras, sem entrar. Avaliar o custo/beneficio para concretizar no dia seguinte. E seguir em frente. Até decidirmos ir por local supostamente afastado do turismo. Excelente opção. Cruzamo-nos apenas por um casal de aventureiros. E por aldeias genuínas. Comunicação gestual. Sorrisos. Pedalar. Sem destino.

No dia seguinte, atraso matinal irremediável. Accionar então o Plano B. Irá levar-nos à Dragon Bridge. Novamente em duas rodas. Locomovidas pelo entusiasmo de paisagens e lugares singularmente estimulantes.

No primeiro quarto do caminho, Jonathan entra no enredo. Israelita invulgarmente aberto. Domina várias línguas, incluindo o mandarim. E entende e fala razoavelmente português. Ou “latino”, a língua que os seus antepassados usavam em Espanha. Até serem corridos do país, tal como aconteceu em Portugal. O “latino” sobreviveu na oralidade. Até à actualidade.

“O ano passado a minha mãe foi a Espanha. Perguntaram-lhe de que século vinha. Falava como há 500 anos, no tempo de Cervantes”, contou.

Tina, jovem chinesa, juntou-se ao grupo de ciclistas. Seguimos parte do caminho em cimento que o turismo está a esfaltar para duas rodas e outras tantas pernas. Os carros não entram.

Em mesa redonda sobre o rio, Bierfish. E outras iguarias. A China já não é a mesma pechincha. Pode-se pagar mais de 10 euros em locais onde nem metade se pensa gastar.

Tina separa-se. Tem de ir trabalhar. Recepcionista em hotel. Estamos em cima da ponte do Dragão. No rio, um casal tira fotos para abrilhantar o casamento. Um enorme urso de peluche parece figura central da cena. Parece-nos infantil. Nota-se a juventude do futuro casal.

Optamos por caminho diferente no regresso. Mais afastados do rio. Inventar nem sempre é exercício feliz. Desta vez, penamos. Perdemo-nos. Mais do que uma vez. A rota não foi propriamente estimulante.

A luz a desvanecer-se. Sem rumo. Problemas? Finalmente, uma referência. Yangshuo surge no horizonte, já bem iluminada.

Jantar novamente entre os menos afortunados locais. Preparamo-nos para madrugar para exigente dia seguinte.

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Rui Barbosa Batista relata no blogue Correr Mundo a sua viagem pela Ásia ao longo de Novembro/Dezembro. No site www.bornfreee.com  pode aceder a outros rela­tos e ima­gens sobre a viagem.

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